sexta-feira, 18 de abril de 2014

Elucidações de Ramatís sobre a significação da cerimônia do "lava-pés".



PERGUNTA: E que nos dizeis quanto à significação da cerimônia do "lava-pés", tradicionalmente consagrada pela Igreja Católica Romana na Semana Santa. Há algum fundamento em tal consagração?


RAMATÍS:  João Batista, o profeta solitário, havia instituído algumas cerimônias com a finalidade de incentivar certas forças psíquicas nos seus adeptos através da concentração ou reflexão espiritual. Isso impressionava os neófitos e servia para a confirmação da própria responsabilidade aos valores espirituais. Em sua época os símbolos, ritos, talismãs e as cerimônias ainda produziam louváveis dinamizações das forças do espírito ou impunham respeito e temor religioso. Eram recursos que serviam como "detonadores" das forças psíquicas, produzindo profunda influência esotérica nos seus cultores, assim como ainda hoje fazem os sacerdotes para o incentivo da fé e do respeito dos fiéis, como são os cânticos, perfumes, a música e o luxo nas igrejas. Por isso, João Batista instituiu a cerimônia do batismo para os heófitos, cuja imersão nas águas dos rios e dos lagos funcionava como um catalizador das energias espirituais, deixando a convicção íntima e benfeitora da "lavagem dos pecados" e conseqüente renovação do espírito para, o futuro. Aquele que se julga realmente purificado de seus pecados, depois vive de modo a não se manchar tão facilmente. Mais tarde, João Batista também organizou a cerimônia do "lavapés", que simbolizava um evento fraterno e humilde, como um sentido de igualdade ou denominador comum entre todos os discípulos e o próprio Mestre. O "lava-pés" era a cerimônia que eliminava a condição social, o poder político, a superioridade intelectual ou a diferença entre

(5) um: — Cremos que parte do pensamento da Nota de Jesus nesse breve discurso aos seus apóstolos, na hora da última ceia, encontra-se referido mais aproximadamente em Lucas, XX — 14, 15, 16 e 18. Neste último versículo, o termo é "não tornarei a beber do fruto da vida", que é a uva, enquanto Ramatís diz que Jesus se referiu ao vinho. (6) João, XIII, vs. 4 e 5.


os adeptos e o Mestre atuantes sob a mesma bandeira espiritual. No momento simbólico do "lavapés" o senhor seria o irmão do servo e também o serviria, porque ambos seram herdeiros dos mesmos bens do mundo.
Jesus, humilde e tolerante, aceitou ambas as cerimônias com todo o enlevo de sua alma e deixou-se batizar pelo Batista, no rio Jordão. Mais tarde, e já no limiar da grande ceia, ele também deu forma à cerimônia tradicional do "lava-pés" entre os seus próprios discípulos, como um ensejo simbólico que deveria evocar os elos de amizade já existentes entre todos. Mas os seus fiéis amigos ficaram bastante preocupados com o fato de Jesus antecipar a cerimônia tradicional do "lava-pés" para a quarta-feira, a qual deveria ser feita comumente na sexta-feira da semana da Páscoa. Mas a verdade é que o Mestre Jesus não guardava dúvidas quanto à sua situação cada vez mais desfavorável perante o Sinédrio e às autoridades romanas, pois algo lhe dizia que seria sacrificado antes do domingo de Páscoa. Deste modo, ele decidiu-se a proceder a cerimônia do "lava-pés" na quarta-feira, após a grande ceia, em vez de esperar a sexta-feira tradicional, pois seria a sua última demonstração de confiança no Pai. Depois de ter enxugado os pés dos seus discípulos, auxiliado por Tiago, Jesus ergueu-se e alçou a voz, exortando-os para que prosseguissem corajosamente na divulgação da "Boa Nova" e do "Reino de Deus", e jamais se conturbassem mesmo diante da morte. Relembrou-lhes os. motivos fundamentais de sua amizade e união espiritual, revivendo os ensinamentos de libertação do Evangelho, enquanto recomendava o amor incondicional, o auxílio à pobreza, o perdão aos algozes, o afeto aos delinquentes e a compreensão fraterna às mulheres infelizes. Salientou a força do espírito eterno sobre a carne perecível; exortou para que os seus fiéis amigos jamais tisnassem a beleza do Cristianismo fazendo conluios com os poderes organizados do mundo de César. A mensagem cristã deveria ser divulgada tão pura quanto os lírios dos vales; pois de nada valiam as honras do mundo material ante a vida imortal. Encheu-os de esperanças novas pela breve chegada do "Reino de Deus" e incentivou os para uma vida heróica em sintonia com os princípios mais elevados da redenção e libertação da humanidade!
Ante a dor, o espanto e a consternação de seus discípulos, que lhe bebiam as palavras repassadas de melancolia e pesar, Jesus voltou-se para Pedro, cujas faces estavam marcadas de profunda angústia e disse-lhe, de modo eloqüente e profético: "Pedro, doravante tu serás um pescador de homens, e não de peixes! Sobre tua fé e sinceridade eu fundamento a minha Igreja! Seja-te o dom do bom falar, do bom ouvir e do bom agir para o serviço do Senhor!"
Pedro caiu de joelhos, os olhos marejados de lágrimas perante o Mestre Amado, enquanto os demais apóstolos mal podiam esconder sua comoção. Judas, no entanto, estava cabisbaixo e roído de ciúmes, incapaz de esmagar o orgulho e o amor próprio feridos ante qualquer distinção ou preferência no colégio apostólico. Jesus encerrou a cerimônia tocante do "lava-pés", e achegando-se a João, enternecido, fez-lhe amena rogativa:
— João! Minha mãe é tua mãe, porque somos irmãos perante o Senhor! Na minha falta, sê tu o seu filho!
Em seguida, fez menção de sair, enquanto Pedro e João apressaram-se a acompanhá-lo; da porta, voltou-se, dizendo a bodos ainda sob profunda emoção espiritual: — Vós sois meus apóstolos; pregai a palavra do Senhor e anunciai a Boa Nova do Reino dos Céus sobre a Terra. A vontade do Pai se manifesta em mim e devo cumpri-la, porque, a hora do meu testemunho é chegada! Ante a emoção dolorosa que anuviou o coração de todos os discípulos, pela primeira vez denominados os seus "apóstolos", Jesus afastou a cortina e o seu vulto majestoso desapareceu nas sombras da noite estrelada, envolto pela brisa perfumada do jardim de Gethesamani.


Do livro: “O Sublime Peregrino” Ramatís/Hercílio Maes – Editora do Conhecimento.

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