Servindo-nos
o máximo possível dos vossos conceitos intelectivos e dualistas, como, por
exemplo, os opostos de enfermo, mau, ignorante, feio, impuro, o super-homem,
então, há de ser nessa conceituação exclusivamente terrícola o mais sadio, o
melhor, o mais sábio, o mais belo e o mais puro dos homens. O melhor entendimento
para essa distinção cultural, e que ultrapassa o limite das concepções humanas
possíveis à mente terrícola, é considerar-se os vocábulos que melhor expressam
o "maximum"
superior da vivência física. Mas é evidente que a concepção de perfeito exige que
o seu exame e comparação também sejam feitos sobre uma base "menos
perfeita", a fim de, então, se conceituar o melhor, sempre acima e além da
mesma base que nos serve de exemplo. Considerai como um dia mais perfeito,
quando a luz solar diafaniza as formas do mundo e proporciona um espetáculo aos
olhos, capaz de ativar as melhores e mais sensíveis emoções do homem.
Evidentemente, o dia "menos perfeito" então há de ser obscuro,
nevoento, triste e gélido, isto é, inferior ou contrário ao dia ensolarado,
porque desestimula qualquer manifestação de alegria. A rosa mais perfeita é a
que se mostra mais pujante em sua configuração, mais colorida e odorante, e que
se abre em atraente projeção aveludada e embebida pelo sol carinhoso. Ela é,
então, perfeita pela comparação com outras rosas sem beleza, sem cheiro e de
aspecto mirrado. Igualmente, é mais perfeita a borboleta irisada a tremeluzir
sob a luz do dia ensolarado, do que a lagarta que a precedeu rastejando pelo
solo.
