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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

“FOGO SELVAGEM” E SUA RELAÇÃO COM O SUICÍDIO PELO FOGO





Pergunta:  A fim de melhor entendermos as vossas considerações sobre o suicídio pelo fogo, com a sua conseqüente prova cármica no futuro, podeis nos dizer algo sobre a natureza do pênfigo foliáceo e a sua relação com o suicídio pelo fogo?

Ramatís - O pênfigo foliáceo ou, popularmente, o "fogo selvagem", apresenta toda semelhança com as queimaduras graves que uma criatura tenha sofrido. Manifesta-se por uma dermatose caracterizada por bolhas avermelhadas, com serosidade, que de princípio lembram as bexigas e as necroses conseqüentes das grandes queimaduras; mais tarde essas bolhas transformam-se em chagas que exalam mau cheiro, deixando as criaturas em carne viva e com dores atrozes.
A vertência tóxica do psiquismo enfermo é muito acelerada, e por isso se traduz em vida torturada, para o cumprimento do legado cármico da criatura. Comumente, os flagelados pelo pênfigo morrem reduzidos no tamanho dos seus corpos, com características semelhantes às das pessoas que hajam sido carbonizadas.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

NÃO SE LEVANTA! - I



João Batista e Margarida mostravam-se exultantes, junto à pia de batismo na igreja de Santo Antônio. O padre Marino, espanhol magriço e ossudo, arengava um latim ininteligível e aspergia de água benta a Hortência, a primeira filha do casal. Os patrões de João Batista, "seu" Marcos e dona Merenciana, sua esposa, donos do armazem "Arco-lris", faziam as honras de padrinhos. A festinha do batizado fora simples e pródiga de doces, salgadinhos, refrescos e cervejas, terminando quase de madrugada, após muitas danças ritmadas pela harmônica do Germano.
Hortência era moreninha; de cabelos pretos, os olhos castanhos. Muito viva aos cinco meses. Os pais pobres e o advento da primeira filha, embora significasse um acontecimento auspicioso, aumentara as preocupações agravando o orçamento do lar. Infelizmente, passado um ano do nascimento de Hortência, João Batista sentiu-se mal no armazém, febril e com dores no baixo-ventre. Apesar das tisanas de camomila, chá de losna e erva-doce, receitada pelas comadres vizinhas, o médico foi chamado às pressas. Mas já era tarde, pois João Batista mal chegou ao hospital falecia de apendicite com peritonite. Margarida, além de viúva, ficou grávida, sem aposentadoria, sem seguro de vida ante a imprudência do esposo, nada provendo para a família no futuro.
Decorridos quatro meses da morte de João Batista, nascia Guiomar, outra menina morena, bem nutrida, significando novos gastos. Margarida atirou-se decididamente à luta e pôs-se a lavar, passar e serzir roupas para criar as filhas. Felizmente, elas gozavam de boa saúde, mas à medida que cresciam, era fácil de se observar a diferença entre o caráter e o temperamento de ambas. Guiomar, quieta e afável, entretanto, de espírito calculista, sovina, exigindo recompensas pelo mínimo favor prestado a qualquer um. Hortência, embora mais pródiga, era má e irascível, além de orgulhosa.
Margarida pedalava a máquina de costura durante o dia e pela madrugada afora, a fim de obter o sustento mínimo da família. Infelizmente, má alimentação, trabalho excessivo e fadiga, minaram-lhe a resistência orgânica, e a tuberculose tomou conta dos pulmões. Nem chegou a sofrer os quadros trágicos da doença insidiosa. Morreu em poucos dias, justificando plenamente os dizeres dos vizinhos: "Margarida estava à beira do túmulo; a tuberculose unicamente lhe deu um empurrão!"