domingo, 1 de março de 2015

Então, para que serve o culto no lar?



Pode parecer que o título acima é uma pergunta óbvia, mas se pensarmos um pouco veremos que não. A maioria de nós sabe para que serve reunir os familiares e amigos para o culto no lar. Mas nem sempre compreendemos seu verdadeiro significado.
A leitura, estudo e reflexão dentro de cada religião em seus respectivos lares, serve para nos ensinar a olharmos para dentro de nós, para nos reformarmos, para nos educarmos. O culto no lar tem a finalidade de aproximar espíritos encarnados e desencarnados numa egrégora de paz, e elucidações, preces e boas energias, mas cada um faz a sua parte no que concerne crescer e amadurecer.
A confraternização religiosa semanal dentro dos lares convida à reflexão íntima, dentro das diversas filosofias religiosas existentes, à interpretação das palavras de Jesus Cristo.  Mais ainda, a aplicação que devemos fazer destes sublimes ensinamentos em nossas vidas.
Mas cada ser humano é uma ilha, um indivíduo com vontades próprias, pensamentos característicos e maior ou menor capacidade de compreensão sobre a vida.
O culto no lar é o momento em que os mais sinceros aprendem a se despir das máscaras e fantasias criadas pelo ego.
Quantos de nós assenta-se à mesa para o culto iludidos de que estamos ajudando os desencarnados ou ensinando-os algo, quando na verdade somos nós quem necessitamos aprender e enxergar com clareza?
Quantas consciências imaturas, mergulhadas na vaidade e no orgulho acreditam que as boas maneiras adquiridas somente para esta ocasião os salvarão? Muitos de nós durante a semana xinga, sente raiva, repudia o outro, roga-lhe pragas, perde a paciência diante dos bons conselhos e das advertências, em nome do orgulho nauseabundo, enquanto que diante da mesa no culto fraterno, lendo o Livro Sagrado dentro de cada religião, torna-se elegante, prudente, amoroso, simpático e o “donos da verdade”.
Lemos nunca para nós, mas para os que estão ao nosso lado, lembrando-os de suas falhas. Falamos não para ouvirmos, mas para que o outro ouça porque pobremente entendemos que quem precisa aprender é o familiar ao lado, jamais nós mesmos.
Poucas são as famílias que se reúnem em nome do amor e da vontade de crescer espiritualmente! Poucos são aqueles que vão de coração aberto, despojados do orgulho e das máscaras desejando compreender um pouco mais dos ensinamentos do Mestre Jesus. Infelizmente a maioria de nós, ainda dorme...

Nos escondemos atrás dos nossos trejeitos físicos, dos nosso semblante “alegre” para continuar sendo o que somos, ou seja, “os belos adormecidos”.
Depois que a reunião acaba os sorrisos nos lábios permanecem até o próximo pisão nos calos! Aí emerge a raiva, as mágoas, a ira! Aquela história do perdoar setenta vezes sete vezes escoa pelo ralo do esquecimento em nome do orgulho, senhor primeiro da ignorância!
Então, para que serve o culto no lar?
Muitos de nós não deseja a mudança interna porque despende esforços, não queremos assumir nossos erros, isto é humilhação! Não queremos  nem ao menos tentar modificar algo em nós.
A grande maioria continua infeliz, cheios de mágoas e raivas quem nem sabem donde surgem e não querem tratar.
Outro dia chegou-me um e-mail de um rapaz insatisfeito com seus familiares porque durante a semana todos se alfinetavam, mas na hora do culto, diante do Evangelho espírita, se tratavam cordialmente. Segundo ele, no dia seguinte ao culto, as implicâncias e alfinetadas recomeçavam. Disse-me que não permanecia no lar aos domingos no horário em que a reunião familiar acontecia, porque não sentia verdade naqueles que se assentavam à mesa para a realização das leituras, estudos e preces, já que o culto em seu lar existia há mais de uma década! Para ele era só uma questão de auto afirmação de que “em nosso lar tem culto” (somos corretos).
A leitura é para nosso conhecimento e aprendizado, o momento é para refletirmos e não para deixarmos o outro refletir, a oportunidade é para nós mesmos. Quem necessita compreender e modificar-se somos nós e não o outro. Deixemos que cada um faça a sua parte se realmente querem despertar para as verdades deixadas há mais de dois mil anos.
Não sejamos hipócritas cobrando do outro a mudança para só então depois mudarmos, cada um deve fazer o seu, até mesmo os orgulhosos.

Reflitamos.

Axé!

Letícia Gonçalves

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