Pergunta: Não podemos deixar de nos emocionar
ante a constatação dessa possibilidade de o espírito voar liberto das peias do
solo físico!
Atanagildo:
- Sei que isso vos entusiasma; noto-vos a sensação eufórica e a respiração
excitada, ante este quadro atrativo que vos apresento. Como ser-vos-á delicioso
volitar no Espaço, após a vossa desencarnação, livres das preocupações com
duplicatas, dentistas, armazéns, aluguel de casa ou impostos! Que júbilo ouvir
a música das esferas, sentir o perfume embriagador das flores paradisíacas e
apreciar a po1icromia de paisagens encantadoras! São revelações que vos
arrebatam a estados celestiais, de repouso e contemplatividade; sonhos que
realmente vivem no subjetivismo de vossa memória etérica e repontam
emotivamente, embora ainda permaneçais reclusos na carne terrena! O espírito encarnado
é um viajante que deixou a sua pátria celestial e, mesmo quando ignora essa circunstância,
costuma rever fugazmente alguns fragmentos do panorama sublime que o aguarda no
futuro, assim como conserva no íntimo a recordação do seu verdadeiro lar celestial.
E essas recordações se avivam quando alguém vos associa mentalmente às paisagens
cerúleas dos planos superiores, como agora acontece convosco.
O
que importa, porém, não é conhecerdes a natureza dos cenários edênicos, com
suas sublimidades, mas tudo fazerdes para habitá-los, o que só se consegue
através de uma vida digna e liberta das paixões tumultuosas, que intoxicam o
perispírito e o impedem de desferir seu alto vôo ardentemente sonhado. Que vale
sonhar com os ciprestes do Líbano, os lagos da Itália ou a majestade dos Andes,
se nada fazemos para conhecê-los pessoalmente?
