Dois sistemas se defrontam: o dos
ascetas, que tem por base o aniquilamento do corpo, e o dos materialistas, que
se baseia no rebaixamento da alma. Duas violências quase tão insensatas uma
quanto a outra. Ao lado desses dois grandes partidos, formiga a numerosa tribo
dos indiferentes que, sem convicção e sem paixão, são mornos no amar e
econômicos no gozar. Onde, então, a sabedoria? Onde, então, a ciência de viver?
Em parte alguma; e o grande
problema ficaria sem solução, se o Espiritismo não viesse em auxílio dos
pesquisadores, demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma
e dizendo-lhes que, por serem necessários uma ao outro, importa cuidar de ambos.
Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela.
Desatender às necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de
Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre arbítrio o induziu
a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo, mal dirigido,
pelos acidentes que causa.
Sereis, porventura, mais perfeitos
se, martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, nem menos
orgulhosos e mais caritativos para com o vosso próximo?
Não, a perfeição não está nisso,
está toda nas formas por que fizerdes passar o vosso Espírito. Dobrai-o,
submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: esse o meio de o tornardes dócil à
vontade de Deus e o único de alcançardes a perfeição.

