Estabelecido
o alvo da existência, mais alto que a fortuna, mais elevado que a felicidade,
uma inteira revolução produz-se em nossos intuitos.
O
Universo é uma arena em que a alma luta pelo seu engrandecimento e este só é
obtido por seus trabalhos, sacrifícios e sofrimentos. A dor, física ou moral, é
um meio poderoso de desenvolvimento e de progresso. As provas auxiliam-nos a conhecer,
a dominar as nossas paixões e a amar realmente os outros. No curso que fazemos,
o que devemos procurar adquirir é a ciência e o amor alternadamente. Quanto
mais soubermos, mais amaremos e mais nos elevaremos.
A
fim de podermos combater e vencer o sofrimento, cumpre estudarmos as causas que
o produzem e, com o conhecimento dos seus efeitos e a submissão às suas leis,
despertar em nós uma simpatia profunda para com aqueles que o suportam. A dor é
a purificação suprema, é a escola em que se aprendem a paciência, a resignação
e todos os deveres austeros. É a fornalha onde se funde o egoísmo, em que se
dissolve o orgulho. Algumas vezes, nas horas sombrias, a alma submetida à prova
revolta-se, renega a Deus e sua justiça; depois, passada a tormenta, quando se
examina a si mesma, vê que esse mal aparente era um bem; reconhece que a dor
tornou-a melhor, mais acessível à piedade, mais caritativa para com os
desgraçados.
Todos
os males da vida concorrem para o nosso aperfeiçoamento. Pela dor, pela prova,
pela humilhação, pelas enfermidades e pelos reveses o melhor desprende-se
lentamente do pior. Eis por que neste mundo há mais sofrimento que alegria. A
prova retempera os caracteres, apura os sentimentos, doma as almas fogosas ou
altivas.
