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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O mau-olhado.

PERGUNTA: O mau-olhado é sempre consequência de uma pessoa maldosa?


RAMATÍS:  O mau-olhado, já explicamos, também pode originar-se acidentalmente de estados de espírito censuráveis, como ambição, inveja, ciúme, despeito, ira, cobiça ou vingança, projetando fluidos ruinosos.

Mas há pessoas de bons sentimentos portadoras do mau-olhado, que sofrem crucialmente por causa das mortificações e prejuízos ou males involuntários semeados na vida do próximo! Basta, às vezes, expressar o desejo muitíssimo natural de possuir uma planta, ave ou animal, que outros possuem, para que a carga fluídica acumulada no olhar se despeje sobre tais coisas ou seres, produzindo efeitos nefastos, como doença, melancolia e até a morte. 3



3 - Nota do Médium: Quando eu era noivo de minha atual esposa, frequentava a casa de meu sogro um senhor libanês, homem humilde e serviçal, e que muitas vezes vi com lágrimas nos olhos, porque sabia-se portador do mau-olhado. Meu sogro, de origem italiana, homem despachado, certo dia, num ímpeto amistoso, apanhou o seu amigo pelo braço e levando-o até junto de um majestoso peru que havia adquirido para a festividade de Natal, disse-lhe: "Turco, dizem que você tem 'olho ruim'! Pois então descarregue essa ruindade boba nesse bicho, e veja como tudo isso é besteira!".



PERGUNTA:  Por que as pessoas de bons sentimentos também podem ser portadoras do estigma do mau-olhado?



RAMATÍS:  Infelizmente, conforme preceitua a lei cármica, a "semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória". Em consequência, mesmo depois de nortearmos a agulha de nossa vida espiritual para o Norte do Cristo, ainda temos de colher os frutos ruins da sementeira imprudente do pretérito. Embora a criatura viva atualmente uma conduta sadia e benfeitora, nem por isso ela fica livre dos efeitos daninhos que resultam dos seus desatinos pregressos. A criança, que por traquinagem ou rebeldia espalha o lixo no jardim ou nas calçadas, é obrigada a recolhê-lo novamente, embora prontifique-se a jamais cometer tal desatino. Quem transforma o seu lar num salão de festas sob a prodigalidade alcoólica, depois terá de limpar o assoalho, os móveis e tapetes, mesmo que deplore a sua imprudência. O homem que, num momento de cólera, envenenou a cisterna de água pura, mesmo depois de arrependido terá de esgotá-la completamente para mitigar a sede.