sexta-feira, 14 de março de 2014

O Perispírito ou Corpo Espiritual



Os materialistas, em sua negação da existência da alma, muitas vezes têm apelado para a dificuldade de conceberem um ser privado de forma. Os próprios espiritualistas não sabem explicar como a alma imaterial, imponderável, poderia presidir e unir-se estreitamente ao corpo material, de natureza essencialmente diferente. Essas dificuldades encontram solução nas experiências do Espiritismo.
Como precedentemente já o dissemos, a alma está, durante a vida material, assim como depois da morte, revestida constantemente de um envoltório fluídico, mais ou menos sutil e etéreo, que Allan Kardec denominou perispírito ou corpo espiritual. Como participa simultaneamente da alma e do corpo material, o perispírito serve de intermediário a ambos: transmite à alma as impressões dos sentidos e comunica ao corpo as vontades do Espírito. No momento da morte, destaca-se da matéria tangível, abandona o corpo às decomposições do túmulo;
porém, inseparável da alma, conserva a forma exterior da personalidade desta. O perispírito é, pois, um organismo fluídico; é a forma preexistente e sobrevivente do ser humano, sobre a qual se modela o envoltório carnal, como uma veste dupla e invisível, constituída de matéria quintessenciada, que atravessa todos os corpos por mais impenetráveis que estes nos pareçam.
A matéria grosseira, incessantemente renovada pela circulação vital, não é a parte estável e permanente do homem. É o perispírito que garante a manutenção da estrutura humana e dos traços fisionômicos, e isto em todas as épocas da vida, desde o nascimento até à morte. Exerce, assim, a ação de uma forma, de um molde contrátil e expansível sobre o qual as moléculas vão incorporar-se. Esse corpo fluídico não é, entretanto, imutável; depura-se e enobrece-se com a alma; segue-a através das suas inumeráveis encarnações; com ela sobe os
degraus da escada hierárquica, torna-se cada vez mais diáfano e brilhante para, em algum dia, resplandecer com essa luz radiante de que falam as Bíblias (antigas) e os testemunhos da História a respeito de certas aparições. É no cérebro desse corpo espiritual que os conhecimentos se armazenam e se imprimem em linhas fosforescentes, e é sobre essas linhas que, na reencarnação, se modela e forma o cérebro da criança. Assim, o intelecto e o moral do Espírito, longe de se perderem, capitalizam-se e se acrescem com as existências deste. Daí as aptidões extraordinárias que trazem, ao nascer, certos seres precoces, particularmente favorecidos.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Os Fluidos - O Magnetismo





Esse mundo dos fluidos, que se entrevê além do estado radiante, reserva bastantes surpresas e descobertas à Ciência. Inumeráveis são as variedades de formas que a matéria, tornando-se sutil, pode revestir para as necessidades de uma vida superior.

Já muitos observadores sabem que, fora das nossas percepções, além do véu opaco que nossa espessa constituição apresenta, existe um outro mundo, não mais o dos infinitamente pequenos, porém um Universo fluídico completamente povoado de multidões invisíveis.

Seres sobre-humanos, mas não sobrenaturais, vivem junto de nós, testemunhas mudas dos nossos atos, e só manifestando a sua existência em condições determinadas, sob a ação de leis naturais, exatas, rigorosas. Importa penetrar o segredo dessas leis, porque de seu conhecimento decorrerá para o homem a posse de forças consideráveis, cuja utilização prática pode transformar a face da Terra e a ordem das sociedades. É esse o domínio da Psicologia experimental; outros diriam o das ciências ocultas. Essas ciências são tão velhas quanto o mundo. Já falamos dos prodígios efetuados nos lugares sagrados da Índia, do Egito e da Grécia. Não está em nosso programa nos estendermos demasiado sobre esta ordem de fatos, mas há uma questão conexa que não devemos deixar passar em silêncio: é a do Magnetismo.

O Magnetismo, estudado e praticado secretamente em todas as épocas da História, vulgarizou-se sobretudo nos fins do século XVIII. As academias ainda o encaram como suspeito, e foi sob o novo nome de Hipnotismo que os mestres da Ciência resolveram-se a admiti-lo, um século depois do seu aparecimento.

segunda-feira, 10 de março de 2014

VÊ QUEM ESTÁ AO TEU LADO



Vê quem está ao teu lado, ajudando-te a compreender os movimentos da Vida. Nunca estás sós nos campos do aprendizado. As tuas companhias andam contigo em todos os lances que empreendes, em todos os sentidos que, porventura, seguires. E essas companhias são espirituais e físicas. Vê a responsabilidade que tens diante delas: umas de receber o teu exemplo, outras de te instruir nas linhas da evolução a quem pretendes atingir.
Devemos afirmar, quantas vezes forem necessárias, que ninguém vive sozinho, nem anda sem companhias. Quem pretender isolar-se, atrofia as suas próprias faculdades.
A lei nos recomenda viver em grupos e nunca nos esquecermos daqueles que nos cercam. A gratidão é força nova em novos entendimentos. Não fazemos nada escondido.
Muitos olhos estão a nos observar, sem faltar uma fração de segundo, registrando e nos ajudando a registrar tudo o que ocorre conosco. Quem se conscientiza desta verdade, procura em toda a área em que opera, errar menos, usando todos os meios possíveis para acertar mais.
Devemos ainda visualizar o Cristo andando conosco, essa Companhia Invisível que nos dá força para trilhar caminhos mais seguros e compreender, com mais eficiência, aqueles que nos acompanham.
A educação nos concita, do lar à escola e desta ao trabalho, a um procedimento que não nos deixa exteriorizar a nossa inferioridade, sendo disciplina que, quando permanentemente limpa desobstrui todos os remanescentes das antigas condições de inferioridade, colocando-nos como almas que desejam e começam a conhecer a Verdade. Não é necessário que conheças todos os países do mundo, principalmente aqueles a que chamas mais civilizados, para que possas iniciar-te na civilização. Se observas os que andam contigo, todos os dias, as tuas reações, em todos os momentos, podes deduzir, sem anunciar, o que deve ser melhor para ti.

sábado, 8 de março de 2014

ASSIM ESTAVA ESCRITO – Parte final





...Marilda e Sônia desceram à carne para cumprir uma prova de desventuras esquematizadas pelas imprudências de outrora. Sem dúvida, a Lei Cármica marcou-as com a orfandade, sem o direito do lar amigo, que já haviam conspurcado ou desprezado antes.
Planificaram a atual existência conforme linhas de forças espirituais geradas carmicamente, que não lhes davam o direito ao berço quente e amigo. Graças aos sentimentos generosos de criaturas bondosas, elas foram ternamente acolhidas na 'Casa Madalena" e passaram a usufruir de conforto, prazeres e estima ou favores, a que ainda não tinham direito. Todavia, a Lei Espiritual, que não é punitiva, porém educativa, aguardou a regeneração de ambas nessa oportunidade e só voltou a agir, quando verificou que elas, incautas, continuaram a repetir os erros passados, cedendo novamente aos impulsos animais inferiores. Almas primárias, reagiram iradas e insatisfeitas contra a primeira advertência justa e disciplina corretiva.
Embora materialmente amparadas não estavam suficientemente esclarecidas para enfrentar as dificuldades e os sofrimentos próprios da vida cotidiana e foram atraídas para a prostituição, pelas tendências ancestrais pregressas. Lavínia mostrou-se inquieta e nervosa, interpelando o guia:
— Porventura, irmão Abelardo, ainda fomos insuficientes a essas órfãs?
— Em verdade, não faltou amor nem proteção às jovens frustradas, porém, esclarecimento de modo a superar as ciladas da vida profana. — Insistiu Abelardo cordialmente. — Não se pode culpar os integrantes da "Casa Madalena" por essa omissão involuntária, quando os seus servidores mal conseguem atender às necessidades materiais das internas.
E Abelardo completou, num sorriso fraterno:
— Aliás, isso já aconteceu a todos nós!
— Não compreendo! — redarguiu Lavínia, algo confusa.
— Criaturas como Sônia e Marilda, ainda não conseguem dominar 'os desejos, as tentações e dificuldades da vida humana, enquanto não forem convenientemente educadas espiritualmente. Até as almas de melhor padrão espiritual, por vezes fracassam no intercâmbio com as paixões humanas. Espíritos primários, reagem voluntariamente ante a primeira contrariedade, magoam-se pela diferença de tratamento alheio e revoltam-se quando lhes impedem a realização imediata dos seus desejos.
— Mas isso é suficiente para justificar-lhes a prostituição? — insistiu Lavínia, inconformada.
— Cinjo-me apenas aos fatos já ocorridos, sem examinar sentimentos ou tecer críticas à vossa boa intenção. Embora a ternura, o devotamento e a renúncia sejam virtudes que vos glorificam perante Deus, nem por isso elas modificam a aplicação correta e educativa da Lei do Carma sobre os espíritos falidos. Examinamos "friamente" a vida agradável e sem obrigação onerosa de Marilda e Sônia transcorrida na "Casa Madalena" até os dezessete anos de idade, em comparação com os contrastes que ambas defrontaram no trabalho penoso de mulheres casadas com homens pobres.
Na "Casa Madalena" elas andavam sobre assoalhos de "parquete" encerado, repousavam em poltronas fofas e aveludadas, dormiam em colchões de molas, macios e confortáveis, guarnecidos de lençóis alvíssimos e cálidos acolchoados. Viviam despreocupadas e alegres, assistindo filmes cinematográficos e programas de televisão. Aos domingos excursionavam às praias e outros lugares pitorescos. Durante o Inverno eram protegidas pelos aquecedores e no Verão dormiam tranquilamente em aposentos amplos e de boa ventilação. Em suas dores e incômodos, sempre tiveram assistência médica carinhosa.
Cumpriam as tarefas escolares entre jardins floridos e alimentavam-se fartamente, acrescidas de gostosas sobremesas. Durante o Natal e a Páscoa, os espíritas ofereciam-lhes presentes e bombons de chocolate, ou então festejavam-lhes os aniversários em comemorações joviais em torno dos simbólicos bolos de velas. Infelizmente, devido ao seu primarismo espiritual e cegas pelo egoísmo e amor-próprio, elas atingiram a mocidade sem desenvolver a paciência, resignação, coragem e estoicismo, virtudes necessárias às mulheres oneradas com a pobreza. Sem dúvida, julgando vingar-se dos benfeitores, terminaram cavando a própria ruína na rebeldia contra a disciplina e os estatutos da "Casa Madalena", e depois não puderam superar os "contrastes violentos" e óbices imprevistos encontrados no mundo.

terça-feira, 4 de março de 2014

Você sabe o que é ser um bom médium?



“Não são os que gozam saúde que precisam de médico.” (S. Mateus, 9:10 a 12.)


“O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles tem assistência.”

                                            Allan Kardec




Esse tema é difícil e polêmico, já que os médiuns são na verdade pessoas comuns com defeitos, dificuldades e limitações das mais diversas. Entretanto, o caminho para o êxito moral e espiritual sempre nos é apontado pelos espíritos benevolentes, por isso vamos com respeito e sinceridade expor nossa opinião sobre o assunto.
Dizem os bons entendedores do Espiritismo que “mediunidade é coisa séria”, mas são muitos os empecilhos para que o médium seja respeitado. Um deles é a sua vaidade, outro é o melindre.
As pessoas dotadas de faculdades mediúnicas, não são especiais ou melhores que ninguém.
Allan Kardec, no livro “O Evangelho Segundo O Espiritismo” nos diz que: “...a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado.” (pág. 400, segundo parágrafo). Ou seja, Deus não privilegia uns em detrimento de outros, ou não seria Perfeito. Somos nós que por causa de nossa incúria nos prejudicamos. A mediunidade por si não faz de ninguém um ser melhor, é o bom caráter e o correto uso que fazemos das nossas faculdades mediúnicas em nome da caridade com Jesus, que nos tornam criaturas mais equilibradas, respeitadas como medianeiros e felizes.
O médium precisa estudar e conhecer a si mesmo para reformar-se moralmente ao longo da vida, o que já é extremamente difícil, pois como somos seres ainda imperfeitos, mais tropeçamos em nossas imperfeições morais do que conseguimos andar com desenvoltura “nas” nossas qualidades.
Tem muita gente que pensa que ser um bom médium é ter facilidade em comunicar-se com os desencarnados, como por exemplo, ver, ouvir, incorporar, psicografar, ser instrumento deles através da psicofonia, entre outros. Lá na frente, depois de cairmos feio, tropeçando na nossa própria vaidade, veremos que não é a quantidade, mas sim a qualidade das comunicações e estas só se dão se os bons espíritos forem simpáticos aos médiuns. Lamento dizer, mas para que isto aconteça, é necessário que o encarnado tenha uma boa conduta moral, seja humilde, responsável e estudioso.