terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Médium e mediunidade

Os sensitivos não deveriam ser chamados de médiuns. O vocábulo sensitivo apresenta-se como um sinônimo de médium, mas não se refere propriamente a um intercâmbio entre os dois mundos, representando apenas uma faculdade em andamento para a verdadeira comunicação com os Espíritos. Mediunidade é um estado natural da criatura, um dom, um fruto maduro. 
O sensitivo é um fruto verde a caminho da maturidade. Este é encontrado com mais facilidade, por não precisar de certas disciplinas e não aceitar as renúncias indispensáveis à glória da faculdade mediúnica, com Jesus. O sensitivo recebe as sensações através do corpo etérico, que se manifesta em todo o sistema nervoso.

Isto faz com que os sentidos humanos sejam ampliados, de maneira a permitira percepção de certas coisas, chegando a sentir que existem Espíritos aqui ou acolá. Essa certeza se origina da alta sensibilidade de que é dotado pela energia cósmica. Muitos e muitos dos chamados médiuns estão nesse estágio, que não deixa de ser um caminho para o empenho grandioso da mediunidade evangélica. É fácil reconhecê-los pelas fracas interpretações das leis naturais e o pouco interesse pelo bem coletivo. Notam-se, nas comunicações, através dos sensitivos, inclinações para a leviandade, respondendo a perguntas que não levam ao interesse elevado da vida, incentivando vícios e compactuando com difíceis processos primitivos, que visam a assegurar o bem-estar material das criaturas. Esquecem-se completamente do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, colocando a caridade sob uma visão muito pessoal.

Essa é a razão por que muitos estudiosos do espiritualismo combatem a mediunidade, generalizando os fenômenos, sem estudarem com profundidade o despertar da alma, no intercâmbio com os Espíritos desencarnados. Mediunidade é um estado natural do ser humano, é maturidade, e junto a ela há sempre um compromisso firmado no mundo espiritual com os luminares da eternidade e com a própria consciência. O Espírito reencarna já preparado para esse ministério, conhecendo os caminhos pelos quais deverá transitar e os processos que o levarão ao dever bem cumprido. Existem animais sensitivos, mas nunca animais médiuns. Através desta analogia, podereis melhor compreender nossas afirmativas. Todo o combate à mediunidade real se faz por faltarem recursos de análise e compreensão do fato mediúnico. Estudar um sensitivo é uma coisa, e estudar um médium é outra, diferente. Quanto ao primeiro, é fácil detectar a fonte que o inspira, por estar próxima das coisas humanas. O segundo, porém, recebe influências que escapam aos sentidos físicos, por alcançarem outra dimensão de maiores valores espirituais. Quase que somente o médium é quem conhece o que é mediunidade e, mesmo com todo o recurso da palavra que ele possa dominar, ainda assim não expressa a realidade dessa faculdade transcendental. Sensitivos, pelo que entendemos na acepção da palavra, há milhões deles, por toda a parte, anunciando, pelo que fazem, mesmo de maneira primitiva, que existe a comunicação com os Espíritos e que a vida eterna é, pois, a alegria de todos nós. No assunto que ora abordamos, vemos que todo médium é sensitivo, mas nem sempre os sensitivos são médiuns. Temos exemplos de decadência de muitos medianeiros, que começaram bem e terminaram a existência no fracasso, com sua mediunidade. Não é fácil, como alguns pensam, manter essa faculdade espiritual no nível que é assumida, quando se desce a tomar um corpo físico. A mediunidade que tem compromissos com o Cristo na Terra, não pode se esquecer de subir o calvário, com a cruz nos ombros, representando sacrifícios de várias espécies: a renúncia é a característica de seus passos; o perdão, uma norma diária em sua vida; o trabalho, uma obrigação sem queixa; a oração, um dever silencioso; a alegria, uma manifestação de gratidão por tudo o que vê e recebe da vida; a língua deixa de ferir e a cabeça passa a ser um ninho de pensamentos nobres. Tudo o que faz, ela o faz por amor.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Elucidações sobre a Volição e o Poder da Vontade.




Pergunta: Não podemos deixar de nos emocionar ante a constatação dessa possibilidade de o espírito voar liberto das peias do solo físico!

Atanagildo: - Sei que isso vos entusiasma; noto-vos a sensação eufórica e a respiração excitada, ante este quadro atrativo que vos apresento. Como ser-vos-á delicioso volitar no Espaço, após a vossa desencarnação, livres das preocupações com duplicatas, dentistas, armazéns, aluguel de casa ou impostos! Que júbilo ouvir a música das esferas, sentir o perfume embriagador das flores paradisíacas e apreciar a po1icromia de paisagens encantadoras! São revelações que vos arrebatam a estados celestiais, de repouso e contemplatividade; sonhos que realmente vivem no subjetivismo de vossa memória etérica e repontam emotivamente, embora ainda permaneçais reclusos na carne terrena! O espírito encarnado é um viajante que deixou a sua pátria celestial e, mesmo quando ignora essa circunstância, costuma rever fugazmente alguns fragmentos do panorama sublime que o aguarda no futuro, assim como conserva no íntimo a recordação do seu verdadeiro lar celestial. E essas recordações se avivam quando alguém vos associa mentalmente às paisagens cerúleas dos planos superiores, como agora acontece convosco.
O que importa, porém, não é conhecerdes a natureza dos cenários edênicos, com suas sublimidades, mas tudo fazerdes para habitá-los, o que só se consegue através de uma vida digna e liberta das paixões tumultuosas, que intoxicam o perispírito e o impedem de desferir seu alto vôo ardentemente sonhado. Que vale sonhar com os ciprestes do Líbano, os lagos da Itália ou a majestade dos Andes, se nada fazemos para conhecê-los pessoalmente?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Quem és, exu e o que fazem os espíritos que trabalham nesta vibração?

- Quem és, ó Elegbara, que com teu falo em riste deixava estupefatos os zelosos sacerdotes do clero católico?
- Só pode ser o demônio infiltrado nestas tribos primitivas que habitam o solo árido da África - gritavam os inquisidores zelosos.
- Negros sem alma, que só pensam em se reproduzir, em ofertar para a fertilidade da lavoura. Levem-nos para o Brasil e vendam-nos como escravos, que lá aprenderão as verdades dos "céus"! 
Cá chegando:
 - Quem és, exu, "orixá" amaldiçoado pela dualidade judaico-católica, que não pôde ser sincretizado com os "santos", santificados pelos papas infalíveis?
Quem és, exu, que os homens da Terra determinam que não és santo e, por isso, és venerado às escondidas, no escuro das senzalas, e seus assentamentos ficam enterrados em locais secretos?
Quem és, exu, que o vento da liberdade que aboliu a escravidão "enxotou" para as periferias da capital de antanho?
Quem és, exu, que o inconsciente do imaginário popular vestiu com capa vermelha, tridente, pé de bode, sorridente entre labaredas, e que por alguns vinténs, farofa, galo preto, charuto e cachaça, atende os pedidos dos fidalgos da zona central, que vêm até o morro em busca dos milagres que os santos não conseguem realizar?
Quem és, exu, que continua sendo "despachado" para não incomodar o culto aos "orixás"?
- Exu, é entidade? Então aqui não entra - dizem os ortodoxos que preconizam a pureza das nações.
- Aqui não tem lugar para egum, espírito de morto!
- Exu fica na tronqueira! Médiuns umbandistas, pensem nos caboclos e nos pretos velhos, e não recebem esses exus. Eles são perigosos! - admoestam certos iniciados, chefes-deterreiro. Sim, esses iniciantes e iniciados, que, pelo desdobramento natural do espírito durante o sono físico, vão direto para os braços do seu quiumba (obsessor) de fé, e saem de mãos dadas para os antros de sexo, drogas, jogatinas e outras coisitas prazerosas do Umbral mais inferior. Dia seguinte, sonolentos e cansados do festim sensório, imputam a ressaca ao temível exu. Oh!
Quantas ilusões!!!
- Afinal, que és tu, exu? Por que és tão controverso?
- Eu mesmo vos respondo... Iah, ah, ah, ah! Não sou a luz... pois a luz cristalina, refulgente, só a de Zambi, Olurum, Incriado, Deus, seja lá que nome dão... Não sou a luz... Mas sou centelha que refulge. Logo, sou espírito em evolução. Essa não é uma peculiaridade nossa, só dos exus, mas de todos os espíritos do infinito Cosmo espiritual. Afirmo que não existe espírito evoluído, como "um produto acabado". Todos, independentemente da forma, estão em eterna evolução, pois plenamente perfeito só existe um que é o próprio Absoluto. Assim, perante os "olhos" de Olurum, sou igual aos pretos velhos, caboclos, baianos, boiadeiros, ciganos, orientais... As distinções preconceituosas ficam por conta de vocês. Não sou a luz, mas tenho minha própria luminosidade, qual labareda de uma chama maior, assim como todos. Basta tirar as nódoas escuras do candeeiro que lhes nublam o discernimento e poderão enxergá-la intimamente, ao que chamam de espírito.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ramatís elucida sobre os sonhos coloridos e em preto e branco.


À noite, quando o espírito abandona o seu corpo adormecido e contempla diretamente as paisagens ou os acontecimentos que se sucedem no mundo astral, a sua percepção psíquica o capacita a fixá-los nas suas cores correspondentes, mas isso não ocorre quando se trata de sonhos produzidos pela emersão da memória astral das vidas passadas ou mesmo das lembranças cotidianas, cujas imagens, então, se apresentam em
preto-branco, mesmo porque são mais comuns as evocações pretéritas e as influências da vida carnal cotidiana quando o espírito se ausenta do corpo físico adormecido.
Uma grande parte dos sonhos é apenas conseqüente dos desejos e impulsos instintivos da criatura, que emergem à noite, impulsionados pela própria luta interior que a alma sustenta entre o senso crítico do inconsciente e do consciente. Neste caso, o sonho é quase que só a revivescência dos próprios conflitos da vida física, que se transformam em imagens atropeladas pelas emersões e recalques mentais, e não qualquer visão ou participação direta do espírito no mundo astral. Quando os sonhos são coloridos e acompanhados de impressões vigorosas, nitidamente recordadas ao despertar, em verdade não se trata de sonhos fantasiados, mas de acontecimentos reais que foram vividos pela alma durante a sua saída astral. Por isso, embora fatos ocorridos durante uma vivência íntima fora do corpo físico, deixam a sensação perfeita de coisas objetivas, que são gravadas definitivamente pela alma encarnada. Em sua maior parte, os sonhos coloridos são frutos dessa observação direta da própria alma nos seus fugazes momentos de liberdade astral, pois quando se trata apenas de flutuações do subconsciente ou de reminiscências da vida cotidiana, à noite, se transformam em imagens branco-pretas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Os tempos são chegados - Explicações de Ramatís


PERGUNTA: Se examinarmos o passado, verificaremos uma multiplicidade de fatos e de desregramentos humanos, tais como guerras, corrupções e aviltamentos, como ocorreram na própria  Roma, que comandava a civilização do mundo, sem que isso indique terem sido  consequentes de "fins de tempos". Que nos dizeis?
 
RAMATÍS:  É necessário notardes que esses acontecimentos desregrados   comprovam que se processou naquela época a intervenção corretiva do Alto, espécie de "castigo para os pecadores", expressão muito familiar na linguagem sacerdotal humana. Roma resgatou os seus desregramentos sob as hostes dos bárbaros de Átila, lembrando a terapêutica das vacinas; os romanos sofreram o corretivo das mesmas paixões orgíacas que haviam feito desencadear nos seus desregramentos coletivos!
Sodoma e Gomorra, destruídas devido à impudicícia dos seus habitantes, dão provas de intervenção espiritual; Herculano e Pompéia, sufocadas pelo Vesúvio,  desapareceram no auge da devassidão, que se tornava já perigosa à integridade dos povos vizinhos.  Comumente os vossos jornais noticiam terríveis tragédias coletivas, em que se destroem aldeias e se mutilam regiões prósperas, fazendo sucumbir multidões indefesas. Muitas vezes trata-se de decisão formal dos Mentores desses povos, que assim procedem para melhor salvá-los do franco desregramento. Mas seria ilógico que considerásseis esses fatos calamitosos e imprevistos, que vos citamos, como sendo os prólogos dos "fins de tempos" a que se referem as profecias, pois não passaram de acontecimentos locais e não de ordem planetária .
 
PERGUNTA:  Concordamos convosco, mas ficamos confusos ao pensar que fatos semelhantes, ocorrendo atualmente, devam indicar que "os tempos chegaram". Se não fizeram provas, no passado, de serem acontecimentos profetizados, devem porventura ser assim considerados agora?
RAMATÍS:  As catástrofes de Sodoma, Gomorra e Babilónia — como já vos dissemos — foram acontecimentos de ordem local, porque os seus conteúdos psíquicos, deletérios, já ameaçavam perturbar os povos vizinhos, que não mereciam a saturação perniciosa do seu ambiente. No entanto, como já afirmara o próprio Jesus, os sucessos de "fins de tempos", que vos citamos, seriam de caráter mundial; deverão atingir, portanto, todo o globo e toda a vossa humanidade. É certo que determinadas nações, embora participando ativamente dos acontecimentos profetizados e sofrendo prejuízos inerentes aos povos mais infelizes, não serão chamadas a provas tão acerbas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Casos Teratológicos de Idiotia e Imbecilidade (Causas)



PERGUNTA: Podeis esclarecer-nos sobre se os nascimentos teratológicos são sempre consequência de um Carma pecaminoso, do passado?


RAMATIS:  Os orientais já vos ensinaram que o espírito engendra o seu Carma usando do próprio livre arbítrio que o Pai outorga a todos os seus filhos e que só é limitado quando começa a causar perturbações à coletividade ou à própria criatura no tocante à sua ventura espiritual. Deus permite que seus filhos engendrem os seus destinos até o ponto em que seus atos não perturbem a harmonia da vida em comum. Aqueles que se devotam a uma vida digna, de amor ao próximo e em harmonia com as leis espirituais, engendram para o futuro uma existência tal que os situa entre almas afeitas aos mesmos propósitos elevados e já cultivados na vida anterior. No entanto, a violência, o ódio, a desonestidade, a hipocrisia ou a crueldade, é fora de dúvida que, no futuro, se constituirão em molduras cármicas atuando constantemente na vida dos seus próprios agentes do pretérito. Inúmeras mães que atiram seus filhos nos esgotos após o criminoso aborto, engendram o terrível carma de, em outras vidas, procriarem “monstrengozinhos” repulsivos. Estes, por sua vez, também podem ser almas das criaturas que foram “fazedoras de anjos” em vidas anteriores, ou seja, abortadores profissionais e adversários da vida, apanhados pela lei de retificação espiritual, reencarnando deformados pelas próprias linhas de forças genéticas perispirituais que perturbaram no passado.
O engendramento cármico está claríssimo na advertência de Jesus, quando disse que aquilo que fosse ligado na Terra também seria ligado no espaço. Assim é que os espíritos, quanto mais se odeiam e se digladiam na trama apaixonada da vida física, mais a lei cármica os aproxima e os reúne nas vidas frituras, fazendo-os sofrer entre si os seus próprios desmandos, até que desliguem o que foi ligado na Terra.
A Lei, em seu fundamento essencial, é Amor e não ódio, e as algemas odiosas não podem ser rompidas violentamente, mas sim desatadas cordialmente pelos seus próprios autores e sob a mútua condescendência espiritual fraterna.
Ninguém no seio da vida poderá viver isolado; e muito menos se isolará dentro do ódio contra qualquer outro ser a quem considere seu adversário, pois a Lei sempre se encarregará de aproximar novamente os que se odeiam, até que, através dos recursos cármicos eficientes, consiga fazê-los se unir e se amarem. Por mais demoníaco que seja o ódio entre aqueles que se detestam, a cura definitiva está implícita na recomendação indiscutível de Jesus: “Reconcilia-te com o teu adversário enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao meirinho, o meirinho te entregue ao juiz e sejas mandado para a cadeia, de onde não sairás enquanto não pagares o último ceitil”. Não há outra solução para o problema do ódio, pois é de lei sideral que tudo se afinize e se ame; que os astros se harmonizem pela coesão cósmica, que as substâncias se afinizem pela combinação simpática e que os seres se unam pela reciprocidade de afeto espiritual.