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sábado, 22 de fevereiro de 2014

ASSIM ESTAVA ESCRITO – 2ª Parte



...Fazendo uma pausa, aumentando a expectativa dos presentes, Lavínia inquiriu, nervosa e até desesperada:
— Por que, essas meninas, Marilda e Sônia, destruíram tantos anos de afeto e benefício, a ponto de prevaricarem como qualquer moçoila leviana criada nas favelas e cortiços, sem afeto e sem bom trato no mundo? Qual o nosso equívoco? Qual a causa desse fracasso?
Abelardo, calmo e atencioso, a transparecer na fisionomia do médium um vislumbre inteligente, respondeu:
— Meus queridos irmãos, a própria terra depois de lavrada não oferece exclusividade de vegetais e frutos sadios, mas também fecunda ervas daninhas. Planta-se o trigo e o joio existente na terra nasce junto. Nem podemos separá-los. É certo que sob o carinho, o discernimento e a perseverança do lavrador, em breve o solo torna-se cada vez mais fértil e a messe melhor. Obviamente, nós só podemos aguardar a segurança dos frutos sazonados, depois de dominarmos as surpresas da plantação e ultrapassarmos o período da experimentação sáfara. Algo semelhante também pode acontecer convosco na direção filantrópica da "Casa Madalena", cujo terreno ainda se mostra inculto e agreste. Talvez, faltam-vos conhecimentos psicológicos e freudianos, experiências e métodos modernos de educação. Melhor controle emotivo e discernimento de educadores para vos aperceber melhor da índole e das reações desses espíritos comprometidos espiritualmente na prova cármica da orfandade bastarda. Considerando-se a não existência da injustiça no seio da Divindade, é evidente que essas criaturas atiradas em portas de igrejas ou latas de lixo, desprezaram seus pais, preceptores ou benfeitores noutras existências. São espíritos primários e egoístas, presos às sensações inferiores do sexo. Se depois disso elas ainda viessem a encarnar-se em lares pródigos, afetivos ou venturosos, então a lei de retificação espiritual seria apenas uma fantasia. Além da assistência material e do amparo físico tendes de desenvolver a habilidade, a experiência e o estoicismo espiritual nessas criaturas, a fim delas superarem os impulsos animais, as frustrações e os óbices que inevitavelmente irão defrontar, quando forem devolvidas ao mundo profano. Isto acontece com o lavrador; ele arranca violentamente as ervas daninhas, fere a planta sadia na poda retificadora. Usa o inseticida mortal no extermínio dos insetos nocivos, para obter a planta resistente e sazonada.
— Naturalmente, referi-vos à nossa inexperiência no programa assistencial às órfãs, não é assim? — interveio um dos diretores da instituição. instituições espíritas filantrópicas, no momento, defrontam com a falta de preceptores para o bom êxito e a segurança dos programas benfeitores. Há muitos servidores de boa vontade para atender as exigências humanas dos deserdados da sorte, mas é bem reduzida a "equipe" de preceptores para esclarecê-los e ensiná-los a enfrentar as vicissitudes da vida! (1) Repito, não basta ao lavrador apenas plantar as mudas ou sementes em bom terreno, preservá-las dos insetos daninhos, da chuva torrencial, da aspereza das geadas ou da violência dos tufões. Embora o solo esteja bem adubado e as espécies bem amparadas, é preciso podar as vergônteas nocivas no "tempo certo" e quando tenras, dando condições ao vegetal para sobreviver naturalmente.