INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
7.
O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro,
e, em seguida, para com os outros. O dever é a lei da vida. Com ele
deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais
elevados. Quero aqui falar apenas do dever moral e não do dever que as
profissões impõem.
Na
ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se
achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm
testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas
derrotas. O dever íntimo do homem fica entregue ao seu livre-arbítrio.
O
aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte e
sustenta; mas, muitas vezes, mostra-se impotente diante dos sofismas da
paixão. Fielmente observado, o dever do coração eleva o homem; como
determiná-lo, porém, com exatidão? Onde começa ele? onde termina? O
dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que
ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo; acaba no
limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.
