O perdão é um fato,
sem que a discussão se apodere do assunto, pois se fundamenta no amor e é
sustentado pela caridade, sem ultrajar a lei da justiça. As susceptibilidades
inflamadas perguntam: por que o perdão? Não é justo que defendamos nossa moral,
nossos interesses, como fazemos com nosso próprio corpo? A displicência foge à
regra. Não negamos que sejamos defendidos, e que a razão se ocupe com a
vigilância e forme métodos de defesa, que haveremos de usar. Esta é a nossa
posição diante do ofensor.
Se usarmos o revide
para com aqueles que nos atacam, entramos na mesma sintonia da agressão e
respiramos o mesmo magnetismo toldado pelo ódio e pela vingança. Perdoar as
ofensas e isolar-se dos fluídos inferiores projetados em nós, sem dúvida, é ter
serenidade na consciência, pela confiança adquirida através das qualidades
conquistadas; é ter certeza, na lei universal, de que somente recebemos o que
damos.
O perdão anunciado
pelo verbo, sem que o coração participe, não deixa de ser o prenúncio da
desculpa. Porém, o mundo interior não sente os efeitos desejados no enervante
estado psíquico, pela apropriação da maldade na alma. A limpeza interna só é
feita com recursos íntimos, que a verdade fornece, e carece de muito exercício
para que o hábito se solidifique.
A glândula que
controla as emoções, serenando ou agitando o sangue, inflama-se com
determinados pensamentos, vicia-se, e começa automaticamente a perturbar o
organismo, ou a colocá-lo na mais elevada serenidade. Se alimentamos ideias de
ódio e de vingança, elas, primeiramente, com vibrações sutilíssimas, vasculham
todo o nosso cosmo celular, queimando a força vital, desnutrindo-nos e, ao
passar pelos centros energéticos, desencadeiam um mundo de distúrbios, de modo
a fazer a alma sofrer as consequências daquilo que provocou.
