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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Breve história de Vovó Benta




Negra esbelta, de sorriso sorrateiro e conquistador, de requebrado insinuante, andava pelo casarão deixando no ar o cheiro do manjericão. Cantarolando, sempre faceira, atiçava o desejo tanto dos negros quanto dos brancos. Não passou despercebida do olhar do patrão, sinhozinho cujos dotes de beleza também assanhavam aquela negrinha. E assim, depois de uma primeira vez, foi inevitável que todas as noites ele a procurasse na senzala. Não era só um desejo. Além do corpo que ardia ao vê-la, seu coração estava emaranhado por um sentimento que ele insistia em negar.
Foram anos de encontros furtivos, os quais a sinhazinha fingia não ver. E foram também muitos abortos, tendo ela desencarnado quando da realização de um deles.
Haveria de renascer, muito pouco tempo depois, no mesmo lugar. Negrinha doente, que sobreviveu à morte da mãe no parto. Muito cedo aprendeu a benzer, e ali estava uma negra curandeira. Parteira requisitada, não tinha hora para atender, até o dia em que, para salvar uma escrava das mãos do feitor, levou uma paulada nas costas e ficou aleijada. Andou o resto da vida agachada, com fortes dores, mas nem por isso deixava de salvar vidas. Desencarnou cega e arqueada, porém feliz. Mas havia muito a ressarcir na contabilidade do Céu. Por isso, juntou-se às bandas de Aruanda e, como preta velha, desceu à crosta para ajudar a curar e aconselhar as pessoas. Precisou de um aparelho cujo comprometimento fosse adequado às suas energias, para que juntos pudessem aprender que é curando as feridas alheias que as nossas se cicatrizam.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MEDIUNIDADE ATIVA E INICIAÇÃO NA CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA





Nem todos que frequentam uma comunidade de terreiro na Umbanda estão ali para fazer parte do grupo de médiuns trabalhadores. A Umbanda é frequentada por uma ampla diversidade de consciências, composta de diferentes indivíduos, com propósitos, ideais e objetivos diversos. O mais importante é o acolhimento fraternal; abraçar, valorizar, considerar, respeitar e tratar todos igualmente, incondicionalmente, sem discriminar a procedência, se é visitante, consulente, adepto, assistente, simpatizante. Contudo, há que se diferenciar que para ser um médium de Umbanda, aceito e iniciado numa corrente, numa egrégora, numa comunidade religiosa como trabalhador ativo, além de frequentar a assistência o tempo adequado para ser reconhecido pela Cúpula Espiritual do terreiro, se fazem necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e vocacionais, além obviamente de mediunidade ativa, de fato, no caso de médiuns que serão trabalhadores no aconselhamento espiritual durante as sessões práticas de caridade. Infelizmente, hoje verificamos muitas “iniciações” fast food, verdadeiros placebos, sem efeito algum. Temos até iniciações à distância feitas de forma ON LINE em alguns cursos pela internet. A simples “iniciação” de um indivíduo, desprovido destes atributos básicos e essenciais, e ainda sem mediunidade, não o habilita como um “iniciado” legítimo e legitimado com direito ao pertencimento na Corrente Astral de Umbanda. Cabe ao sacerdote, dirigente, zelador, diretor de rito ou chefe de terreiro, escolher com muito critério aqueles que são realmente dignos de aceitação e posterior iniciação, preponderando os atributos básicos e essenciais além da mediunidade ativa direcionada para as lides de terreiro. Mediunidade ativa que é “impressa” no Corpo Astral antes da reencarnação do sujeito, o que obviamente nenhuma iniciação ativará se não for pré-existente esta sensibilização. Saravá fraterno, NORBERTO PEIXOTO.