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quinta-feira, 24 de outubro de 2019
domingo, 18 de março de 2018
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Breve história de Vovó Benta
Negra esbelta, de sorriso sorrateiro e conquistador, de requebrado
insinuante, andava pelo casarão deixando no ar o cheiro do manjericão.
Cantarolando, sempre faceira, atiçava o desejo tanto dos negros quanto dos
brancos. Não passou despercebida do olhar do patrão, sinhozinho cujos dotes de
beleza também assanhavam aquela negrinha. E assim, depois de uma primeira vez, foi
inevitável que todas as noites ele a procurasse na senzala. Não era só um
desejo. Além do corpo que ardia ao vê-la, seu coração estava emaranhado por um
sentimento que ele insistia em negar.
Foram anos de encontros furtivos, os quais a sinhazinha
fingia não ver. E foram também muitos abortos, tendo ela desencarnado quando da
realização de um deles.
Haveria de renascer, muito pouco tempo depois, no mesmo
lugar. Negrinha doente, que sobreviveu à morte da mãe no parto. Muito cedo
aprendeu a benzer, e ali estava uma negra curandeira. Parteira requisitada, não
tinha hora para atender, até o dia em que, para salvar uma escrava das mãos do
feitor, levou uma paulada nas costas e ficou aleijada. Andou o resto da vida agachada,
com fortes dores, mas nem por isso deixava de salvar vidas. Desencarnou cega e
arqueada, porém feliz. Mas havia muito a ressarcir na contabilidade do Céu. Por
isso, juntou-se às bandas de Aruanda e, como preta velha, desceu à crosta para
ajudar a curar e aconselhar as pessoas. Precisou de um aparelho cujo
comprometimento fosse adequado às suas energias, para que juntos pudessem aprender que é curando as feridas alheias que as nossas se
cicatrizam.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
MEDIUNIDADE ATIVA E INICIAÇÃO NA CORRENTE ASTRAL DE UMBANDA
Nem todos que frequentam uma comunidade de terreiro na Umbanda estão ali
para fazer parte do grupo de médiuns trabalhadores. A Umbanda é frequentada por
uma ampla diversidade de consciências, composta de diferentes indivíduos, com
propósitos, ideais e objetivos diversos. O mais importante é o acolhimento
fraternal; abraçar, valorizar, considerar, respeitar e tratar todos igualmente,
incondicionalmente, sem discriminar a procedência, se é visitante, consulente,
adepto, assistente, simpatizante. Contudo, há que se diferenciar que para ser
um médium de Umbanda, aceito e iniciado numa corrente, numa egrégora, numa
comunidade religiosa como trabalhador ativo, além de frequentar a assistência o
tempo adequado para ser reconhecido pela Cúpula Espiritual do terreiro, se
fazem necessários inúmeros atributos morais, intelectuais, procedimentais e
vocacionais, além obviamente de mediunidade ativa, de fato, no caso de médiuns
que serão trabalhadores no aconselhamento espiritual durante as sessões
práticas de caridade. Infelizmente, hoje verificamos muitas “iniciações” fast
food, verdadeiros placebos, sem efeito algum. Temos até iniciações à distância
feitas de forma ON LINE em alguns cursos pela internet. A simples “iniciação”
de um indivíduo, desprovido destes atributos básicos e essenciais, e ainda sem
mediunidade, não o habilita como um “iniciado” legítimo e legitimado com
direito ao pertencimento na Corrente Astral de Umbanda. Cabe ao sacerdote,
dirigente, zelador, diretor de rito ou chefe de terreiro, escolher com muito
critério aqueles que são realmente dignos de aceitação e posterior iniciação,
preponderando os atributos básicos e essenciais além da mediunidade ativa
direcionada para as lides de terreiro. Mediunidade ativa que é “impressa” no
Corpo Astral antes da reencarnação do sujeito, o que obviamente nenhuma
iniciação ativará se não for pré-existente esta sensibilização. Saravá
fraterno, NORBERTO PEIXOTO.
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