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domingo, 28 de fevereiro de 2021

ROGER FERAUDY: BARATZIL - A TERRA DAS ESTRELAS

 


Sinopse: Qual a razão de ser o povo brasileiro tão místico e psíquico, com essa familiaridade natural com o Invisível, e um celeiro de faculdades mediúnicas - o país mais espírita do mundo, berço da Umbanda, e rico em todas as correntes espiritualistas? Por que essa noção coletiva de país predestinado?
É o que a fantástica revelação deste livro explica, por meio da consulta aos registros invisíveis autênticos. A história ancestral da Terra das Estrelas - o Brasil - e da América do Sul é o que desvenda as raízes espirituais do povo brasileiro, e seu destino de nação líder da Espiritualidade da Nova Era.
Uma avançada civilização, desenvolvida pelos mestres extraterrenos da Lemúria e Atlântida, semeou no território brasileiro, em era remota, as magníficas cidades do Império de Paititi, Itaoca e Ibez, e da Terra das Araras Vermelhas. Essas culturas fizeram evoluir as raças então existentes, pela manipulação genética, e desenvolveram seus poderes psíquicos. Com isso, foram preparadas, no inconsciente desses egos - nós! -, as sementes da nova raça futura do Terceiro Milênio.
Dessa época remota datam as verdadeiras raizes da Umbanda que, pela primeira vez, são desveladas em detalhe: como essa velha Magia branca dos Templos da Luz atlantes, com a contribuição africana, foi colocada a serviço da humanidade pelos Dirigentes Planetarios, e seu papel na Espiritualidade da Nova Era. Desvenda também a verdadeira identidade de seus líderes esoirituais que se ocultam atrás das formas de caboclos e pretos-velhos.
Sendo um livro-revelação, seu ineditismo e riqueza o destinam a ser uma referência para os estudiosos. Mas é também - o que tem cativado os milhares de leitores da arqueologia psíquica de Roger Feraudy - um romance, verídico e apaixonante. O autor retira da sombra dos milênios um universo vivo e colorido de cenários, costumes, civilizações esquecidas, povoadas de personagens fascinantes, alguns sobrevivendo nos mitos americanos, cujas lutas, amores, paixões, crimes e heroísmo, mergulhos na sombra e árduas ascensões tecem uma narrativa que prende o leitor da primeira à última página, pela fascinação dessas histórias ancestrais de que nós, povo da Terra das Estrelas, fizemos parte um dia.

domingo, 24 de janeiro de 2021

"POR ESSAS E OUTRAS, QUE UMBANDA DEVERIA SER ESTUDADA, ANTES DE SER PRATICADA"

 


Por: Mãe Leni, dirigente fundadora do Templo de Umbanda Vozes de Aruanda, de Erechim - RS

"Ficamos entristecidos ao visitar uma linda cachoeira e observar a imensidão de "lixo" deixado na água, nas pedras e na mata ao redor, por supostos "umbandistas".
Oferendas com muito vidro, plástico, papel alumínio, velas nas pedras e até aves em decomposição. Como agradar às entidades ou aos Orixás sujando desta forma sua casa? A natureza é por onde ELES se manifestam a nós, humanos encarnados. Será que Oxum (que é doçura e amor), Xangô, Oxóssi ou outro Orixá gosta de putrefação, de lixo que não se decompõe e será levado pelas águas até o mar de Iemanjá? Não acredito. O ato de oferendar é para absorver, em contrapartida, o axé para o ofertante; portanto, se alguém emporcalha o sítio sagrado da natureza onde reina o Orixá, estará emporcalhando seu próprio axé. Falta entendimento e discernimento, bem como cidadania, pois, além das "oferendas", ainda deixam espalhados os sacos plásticos nos quais as transportaram. Não se dignam a recolher o próprio lixo que suja e entope nossos córregos, num momento em que nosso planeta já se ressente com falta de água doce, justamente por esses atos insanos dos homens. Por essas e outras, que Umbanda deve ser estudada, antes de ser praticada."

Trecho retirado do livro: Encantos de Umbanda (pág. 56,57).
Fonte: Encantos de Umbanda/Norberto Peixoto - Legião Publicações - https://livrariadotriangulo.com.br/
Imagens: Cantareira Informe, Refúgio dos Orixás, oxumtayo.wordpress. com

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A UMBANDA E O CARMA COLETIVO DO BRASIL


PERGUNTA: - A Umbanda, enquanto expressão de religiosidade, como espiritualismo em que se pratica o intercâmbio mediúnico com desencarnados, só existe em solo brasileiro. Qual o motivo desse exclusivismo?

VOVÓ MARIA CONGA: - Essa situação é condizente com o carma coletivo do Brasil, pátria que abrigou em seu fértil solo grande parte dos espíritos ligados à Inquisição. Inquisidores vieram como escravos, e suas vítimas de outrora como" donos" da terra, como se retomassem a posse dos bens confiscados. Aliado a isso, o fato de a população indígena aqui presente, que também foi escravizada e "catequizada" pelo homem branco, juntamente com os ritos africanistas e a cultura católica dos colonizadores portugueses e espanhóis, e mais recentemente o Espiritismo provindo da França de Kardec, terem demarcado o sentimento de religiosidade dos brasileiros como se fosse uma grande colcha de retalhos.
Fez-se necessário um movimento religioso que abrigasse harmoniosamente todas essas tendências que desaguaram no país, expurgando-se definitivamente o carma negativo gerado pela intolerância e pela perseguição religiosa do "Santo" Ofício inquisitorial. Sendo assim, reuniu-se uma Alta Confraria Branca no Astral Superior, que planejou, com a permissão direta de Jesus, o nascimento da Umbanda no solo dessa pátria chamada Brasil...

"A UMBANDA É MAIS ANTIGA QUE TODAS AS RELIGIÕES DOS HOMENS E SERÁ UMA DAS EXPRESSÕES DE UNIFICAÇÃO AMOROSA NA TERRA"


PERGUNTA: - Notamos um processo de "orientalização do Ocidente", sendo crescente o interesse por temas místicos, esotéricos, de vidas passadas, carma, reencarnação, fitoterapia, Nova Era, enfim, de espiritualismo em geral. Como se coloca a Umbanda nesse cenário?

VOVÓ MARIA CONGA: - Umbanda é luz, sabedoria milenar e pura harmonia. Conduz as consciências ao entendimento da verdadeira vida, que é a do espírito imortal. É unidade no Cosmo, um todo de que fazemos parte. É universalismo na sua essência, que está registrado em todos nós por nossa ancestralidade espiritual.
A Umbanda, regida pelo Cristo Cósmico, tendo em Jesus a sua manifestação máxima na Terra, é mais antiga que todas as religiões dos homens, e terá enorme importância por sua procedência sagrada nesta Era de Aquário. Aceita todas as outras religiões, e, por ser anterior as mesmas, em todas teve grandes influências, principalmente nas oriundas do Oriente...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE UMBANDA E ESPIRITISMO?

PERGUNTA: - Quais as diferenças entre umbanda e espiritismo?

RAMATÍS: - As peculiaridades que distinguem as práticas espíritas das umbandistas foram aprofundadas em outra obra.[4] É importante relembrar que a umbanda é um movimento espiritualista visivelmente diferente do espiritismo, mas com muita sincronia em vários aspectos, tendo em vista que ambos são regidos pelas leis universais que regulam o intercâmbio entre os planos de vida.
A umbanda fundamenta-se na magia e nas forças da natureza manifestadas nos planos das formas (mental e astral), representadas pelos orixás. Ela não concorre com os centros espíritas, que não permitem símbolos mágicos, cânticos, defumações, ervas, essências aromáticas, fogo, pólvora, velas.
O espiritismo preconiza libertar os homens das formas transitórias e não aceita a magia em seus postulados doutrinários. Infelizmente, muitos homens ditos espíritas se consideram melhores, superiores e salvos em relação aos umbandistas, condenando equivocadamente a umbanda em suas atividades de intercâmbio com o Espaço. Lamentavelmente, muitos dirigentes zelosos da pureza doutrinária, às escondidas, como criança que rouba doce da geladeira, encaminham consulentes, alvos de magia negra, aos terreiros, abafando esses casos dos estudos doutrinários, mesmo que ocorram diuturnamente em seus centros.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

"QUEM COBRA POR SERVIÇO ESPIRITUAL NÃO É UMBANDISTA"



Ao contrário do que muitos pensam, a diversidade do universo umbandista permite um mínimo de unidade doutrinária, de ritos, usos e costumes uniformes que caracterizam a maioria das práticas umbandistas. Pode-se afirmar, sem exclusões traumáticas, que isso ocorre ao natural na maior parte dos centros por este Brasil afora, cada dia se fortalecendo mais, desde o advento histórico do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Ei-las, como já havíamos ditado em outra obra:

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

DESMISTIFICANDO EXU



PERGUNTA:  Como o fetichismo das crenças mágicas populares juntamente com o sincretismo, fez "exu" ser associado ao diabo, numa distorcida adoração ao demônio, como rito institucionalizado?



RAMATÍS:  A nação africana que mais influenciou a formação das seitas afro-brasileiras com seu fetichismo e suas crenças mágicas foi Iorubá.  Os escravos africanos, ao contrário dos índios, que não foram escravizados, idealizaram o sincretismo para poder realizar seus cultos nas senzalas. Inteligentemente, os orixás são santificados, correlacionados com os santos católicos mais conhecidos. [1] Após a alforria, essa situação se fortaleceu como forma de integração e legitimação numa sociedade regida pelo catolicismo.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

RELATOS DE UM “MORTO”: OS PROBLEMAS DO SEXO DESREGRADO - I




O tema é demasiadamente espinhoso, mas tentaremos de forma despretensiosa abordá-lo, de maneira simples no intuito de chegar mais junto ao coração dos leitores desse blog, convidando-os à reflexão positiva e desprovida de preconceitos.



Eu era médium trabalhador de uma casa umbandista onde servi há mais de dezessete anos. Conheci lá a moça com quem me casei e tive duas filhas. Fiz nesse templo alguns amigos fiéis nesses anos dedicados à casa de caridade e desagradei tantos outros incomodados com a minha presença “lá”. Entre tropeços e pequenas vitórias caminhava titubeante e inseguro. O meu problema era conhecido pela espiritualidade superior que ali assistia amorosamente os caídos e derrotados, em nome do Cristo.  Meu nome na Terra era Claudinei e eu sofria imensamente com a falta de controle no campo do sexo. Era um desregrado e por isso a culpa vez em quando me fazia visitas demoradas.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

COMO EXPLICAR AS DEFUMAÇÕES NA UMBANDA?





PERGUNTA: - Como explicar as defumações, o fumo usado em baforadas pelas entidades, a queima de pólvora e as ponteiras de aço cravadas no solo, sob a ótica "cientificista" dos atos mágicos da umbanda?

RAMATÍS: - Observai que nas sessões de caridade a assistência os consulentes apresentam pesada atmosfera psicoastral, carregada de fluidos deletérios. O prana vital mantém sua vitalidade astromagnética comprimida nas ervas e folhas do fumo. Quando espargido nas golfadas esfumaçadas dos caboclos e cachimbadas dos pais velhos, o fumo se desacondiciona, liberando princípios ativos fármaco-cinéticos altamente benfeitores ao ambiente, desagregando as partículas densas em suspensão no éter. Essa teorização é amplamente comprovada em vossos laboratórios: a utilização da queima de ervas específicas mantém um sistema constituído por um meio gasoso, em que estão dispersos elementos contidos no sólido que o originou, caracterizando um método físico-químico com duas fases: a dispersa (fumaça), que está extremamente subdividida e é antecedida pela outra, a fase dispersora (queima). Popularmente, as entidades da umbanda referem-se a isso como "destruir os fluidos ruins com um bom e favorável".

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

SERVENTIA - UMBANDA




PERGUNTA  Em que consiste a "serventia"?

RAMATÍS - A serventia, que denota qualidade de servir a algo, alguém ou a uma causa, não deve ser interpretada como servidão ou subserviência. Como as formas de apresentação de Caboclos, Pretos Velhos e Crianças na Umbanda são "ocupadas" por espíritos que vibram em certas freqüências sutis, ficam impedidos de atuar em determinados sítios vibracionais ocupados pelos antros de magia negra, sob pena de se imporem pesados rebaixamentos vibratórios que seriam motivo de sofrimento desnecessário, pela regularidade desse tipo de atuação.

domingo, 27 de setembro de 2015

“Umbanda no solo dessa pátria chamada Brasil”.


PERGUNTA:  A Umbanda, enquanto expressão de religiosidade, como espiritualismo em que se pratica o intercâmbio mediúnico com desencarnados, só existe em solo brasileiro. Qual o motivo desse exclusivismo?



VOVÓ MARIA CONGA:  Essa situação é condizente com o carma coletivo do Brasil, pátria que abrigou em seu fértil solo grande parte dos espíritos ligados à Inquisição. Inquisidores vieram como escravos, e suas vítimas de outrora como" donos" da terra, como se retomassem a posse dos bens confiscados. Aliado a isso, o fato de a população indígena aqui presente, que também foi escravizada e "catequizada" pelo homem branco, juntamente com os ritos africanistas e a cultura católica dos colonizadores portugueses e espanhóis, e mais recentemente o Espiritismo provindo da França de Kardec, terem demarcado o sentimento de religiosidade dos brasileiros como se fosse uma grande colcha de retalhos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O intercâmbio com o mundo invisível




PERGUNTA: - As sessões espíritas que realizamos na Terra são sempre assistidas pelos espíritos bons?



RAMATÍS: - Indubitavelmente a presença e a assistência dos bons espíritos nas sessões espíritas dependem muitíssimo das intenções e dos objetivos das pessoas que se propõem ao intercâmbio com o mundo invisível. Mas, também, é certo que todas as criaturas já vivem acompanhadas pelas almas que lhes são afins a todos os seus atos e pensamentos. Assim, os homens regrados e generosos também simpatizam e atraem as boas companhias do "lado de cá", cujas almas, quando em vida física, já viviam afastadas das paixões degradantes e dos vícios perniciosos. No entanto, os maldosos, corruptos ou viciados, transformam-se em focos de atração dos espíritos gozadores, maquiavélicos e mal-intencionados.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

“CÓDIGOS DE UMBANDA”





PERGUNTA: Percebemos uma proliferação de "códigos" de umbanda. Aos umbandistas, em sua maioria não muito afeitos ao estudo, esses "tratados" parecem definitivos, complicados e de difícil entendimento. Tanto isso é verdadeiro que proliferam os cursos pagos para acesso aos mistérios, muitos formando "magos". Isso é condizente com a mediunidade natural e inequívoca (Zélio de Moraes incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas aos 17 anos, sem nenhum curso), com a simplicidade e a essência da umbanda, ou seja, realizar a caridade?

RAMATÍS:  Desde os idos da saudosa Atlântida, o acesso aos mistérios sagrados foi de natureza seletiva. Impunha-se alta moralidade e índole psicológica afeita ao altruísmo aos iniciantes, no sentido de preservarem os conhecimentos ocultos da aplicação negativa no campo da magia.
Nos dias atuais, o conhecimento está plenamente democratizado, e cada um elege para si aquilo que o atrai em afinidade.
No caso do canal mediúnico que irrompe de forma inequívoca e natural, em que uma entidade de alta estirpe moral se apropria da aparelhagem psíquica do médium, ditando orientações de alto valor doutrinário, inevitavelmente trata-se de espíritos que tiveram longa e árdua formação em várias encarnações.
É preciso entender que um ritual nada mais é que um meio de organização terrena para disciplinar os atos invocatórios de acesso aos planos ocultos, ocorrendo as verdadeiras iniciações no templo interior de cada criatura. Portanto requer amor e ações práticas de auxílio ao próximo, sem interesses personalistas, desde épocas anteriores à atual encarnação. Ritual de iniciação aplicado se o iniciando não tem outorga e cobertura espiritual é como uma carta remetida para endereço inexistente: as energias invocadas e evocadas pela força mental do médium iniciador não encontrarão imantação no objeto da iniciação. Ocorre nos dias atuais um atavismo em muitos religiosos de antanho que se encontram, dentro do movimento de umbanda, dispostos espiritualmente a criar castas e séqüitos, como se fossem proprietários da verdade definitiva, sem nenhum comprometimento com a preexistência espiritual dos rebanhos que pagam para ser iniciados coletivamente. É mais uma apoteose ritualística externa coletiva que se "acasala" no espúito acrisolado no escafandro grosseiro, ofuscado pelos rituais metódicos, do que interiorização do cidadão entre dimensões de vida diferentes.
A luz e a simplicidade da espiritualidade, a qual abarca todas as religiões, pois em todas está, começam a despontar nas consciências muito antes da atual encarnação. Para entenderdes a profundidade dessa assertiva, será uma surpresa para vós dizer que, quanto mais simples e amoroso fordes, mais espiritualizado sereis, numa relação direta de proporcionalidade, seja qual for vossa religiosidade.
Vosso intelecto é constritivo e vos separa da totalidade como espírito. Enquanto as consciências sacerdotais (e para ser sacerdote não é preciso ser médium) estiverem retidas nas discussões intelectuais que fortalecem a mente concreta, não conseguirão sentir as percepções elevadas das verdades cósmicas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Breve história de Vovó Benta




Negra esbelta, de sorriso sorrateiro e conquistador, de requebrado insinuante, andava pelo casarão deixando no ar o cheiro do manjericão. Cantarolando, sempre faceira, atiçava o desejo tanto dos negros quanto dos brancos. Não passou despercebida do olhar do patrão, sinhozinho cujos dotes de beleza também assanhavam aquela negrinha. E assim, depois de uma primeira vez, foi inevitável que todas as noites ele a procurasse na senzala. Não era só um desejo. Além do corpo que ardia ao vê-la, seu coração estava emaranhado por um sentimento que ele insistia em negar.
Foram anos de encontros furtivos, os quais a sinhazinha fingia não ver. E foram também muitos abortos, tendo ela desencarnado quando da realização de um deles.
Haveria de renascer, muito pouco tempo depois, no mesmo lugar. Negrinha doente, que sobreviveu à morte da mãe no parto. Muito cedo aprendeu a benzer, e ali estava uma negra curandeira. Parteira requisitada, não tinha hora para atender, até o dia em que, para salvar uma escrava das mãos do feitor, levou uma paulada nas costas e ficou aleijada. Andou o resto da vida agachada, com fortes dores, mas nem por isso deixava de salvar vidas. Desencarnou cega e arqueada, porém feliz. Mas havia muito a ressarcir na contabilidade do Céu. Por isso, juntou-se às bandas de Aruanda e, como preta velha, desceu à crosta para ajudar a curar e aconselhar as pessoas. Precisou de um aparelho cujo comprometimento fosse adequado às suas energias, para que juntos pudessem aprender que é curando as feridas alheias que as nossas se cicatrizam.

domingo, 7 de junho de 2015

Amor próprio, ter ou não ter? Eis a questão.





Era inverno, as temperaturas despencavam e  aquele templo de umbanda recebia naquela noite poucas pessoas.
Marcelina estava na primeira fileira no salão principal, preparando-se para a reunião daquela sexta-feira. Poucas pessoas faziam parte do grupo de consulentes, muitos haviam ficado em seus lares devido ao frio intenso. Os médiuns também estavam em um grupo pequeno, a maioria faltou...
Após as preces de abertura dos trabalhos daquela noite e o início da palestra, os consulentes foram chamados para receber o passe magnético. Marcelina foi uma das primeiras e durante o passe despertou no médium maior atenção sobre ela. Como se tratava de um trabalhador experiente, sensível e atencioso, ao fim do tratamento a convidou para se aconselhar com preto velho e, Marcelina ansiosa e agradecida, aceitou.
Já diante do médium que já estava sob a vibração da entidade amorosa, respeitosamente ela o saudou: _ Boa noite, paisinho... salve!
Durante dois minutos fez-se um silêncio absurdo entre eles, a entidade auscultava a encarnada, enquanto baforava a fumaça do cachimbo enquanto nossa personagem aguardava o momento para DESPEJAR todo seu arsenal de perguntas descabidas em cima do médium incorporado! 
Preto velho: _Salve Zin fia! Ê, ê! Nego veio vê que a fia tá muito carregada, uma tristeza sem fim, uma energia pesada e de coloração escura e densa... por que, zin fia? 
Marcelina: _ Paisinho... estou muito só, carente que dói... sinto falta de um alguém na minha vida. Preciso de alguém para me amar! Como vou me sentir valorizada e realizada se não tenho meu coração aquecido pelo amor? Se o moço certo aparecesse em minha vida para me amar e me fazer feliz, eu seria a mulher mais feliz do mundo!
A entidade ouvia com paciência cada lamúria. O médium que servia de ponte para a entidade espiritual, aproveitava para aprender mais sobre a problemática do “amor”. Instruído pelo guia a conhecer mais sobre a alma humana, sem julgamentos, sentia a energia da consulente, sua irmã de caminhada e auxiliava no que podia.
A moça “falava” como uma matraca sem se ouvir, esperava  da entidade espiritual um estalar de dedos e “tudo resolvido”! Mas não foi bem assim que aconteceu. 
Marcelina: _O senhor poderia me dar uma ajudinha para eu arrumar o meu príncipe encantado, preciso me sentir amada! 
Preto velho: _A filha chegou no ponto que nego veio queria... sabe moça, eu fico aqui pensando o seguinte... por suposição se seu te abrir os caminhos para que encontres o tão desejado “príncipe encantado”, um moço que te dê amor e que “te aqueça o coração”, que realize teus desejos mais íntimos... e se um dia ele falhar, o que fará? Se ele em algum momento deixar de te desejar, como reagirá? Suponhamos que este homem seja como a grande maioria dos que já estão por aí, tão egoístas e também à procura de quem realize seus desejos mais íntimos, que se encantam e se desencantam por uma mulher, com a velocidade do pensamento? Fia, se esse tal príncipe te decepcionar um dia e se ele for uma idealização sua, como fará?
A moça assustou-se com as perguntas da entidade, seus pensamentos se atropelavam e ela não conseguia raciocinar de forma organizada.  Aquela entidade espiritual havia lhe tocado na ferida mais dolorida sem ao menos lhe dar aviso prévio! Marcelina ficou atônita, caiu em si despertando para uma realidade cruel. O que pensar diante de tais questionamentos? O que dizer? O que a entidade queria? Porque fazia aquilo, desafiando-a a pensar? Por que ao invés de resolver seus problemas e de lhe dar respostas prontas, estava a lhe “complicar” mais ainda a vida? Por que?

Um suor frio lhe molhou a face e ela respirou fundo tentando juntar saliva para aplacar a secura da boca. Apertou as delicadas mãos, frias e molhadas, iniciando novo diálogo com fortes sinais de desapontamento.  A voz em tom grave e mais baixo do que o normal pronunciou frases desconexas e trêmulas... enfim, ela despertou e compreendeu o erro (envergonhada),  mas disfarçou.  
Marcelina: _Não compreendi, o senhor poderia me explicar melhor? 
Aquele preto velho amoroso, psicólogo de almas, lançou um olhar cheio de amor e bondade àquela mulher sofrida. Procurou a melhor forma de lhe ajudar a compreender sua real situação.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

PARA NÃO DIZER QUE NUNCA TE FALEI SOBRE ISSO.


Despachos em encruzilhadas urbanas, nas praças, nas esquinas dos bairros, sempre foram motivo de polêmica. Uns se assustam e desviam, outros criticam, julgam e condenam e tantos outros curiosos desrespeitam, abusando da própria sorte, em nome da “santa” mãe ignorância!
A história que vamos contar relata exatamente o que acontece a muitos incautos, que por imprudência caem em suas próprias armadilhas, vítimas da intolerância e do desrespeito que eles próprios cultivam em si.
Quem nunca ouviu uma história assim que atire a primeira pedra! 
Cássio, voltando da balada com a turma de amigos, de madrugada resolveu encurtar caminho passando por uma rua deserta, tarde da noite e ainda por cima pouco iluminada...
Estavam todos bêbados, alegres e já desgastados pelos comes e bebes da festa em que estavam. Cansados e precisando do sono reparador, retornavam para seus lares numa conversação animada, porém desnecessária. Falavam alto, gesticulavam muito e faziam as brincadeiras e as piadas próprias daqueles que não têm respeito pelos outros...
Em dado momento, avistaram duas pessoas numa esquina, iluminadas por velas que estavam no chão. Em silêncio comentaram aos risos que se tratava de um despacho, que no vocabulário deles trataram por “macumba”. Reduziram os passos, discretos e ladinos, esconderam-se atrás de um poste, observando atentamente até que aquelas pessoas fossem embora.
Sem perder tempo e, para não deixar de ser o menino “bobo da corte”,  Cássio avançou ansioso para o despacho e lá chegando, deu mais uma olhadela para assegurar-se de que ninguém mais o veria. Olhou para os amigos que amedrontados lhe pediam constantemente para recuar, fez uns gracejos, dançou e se balançou debochadamente, dando gargalhadas diante do ebó...
Os amigos desconfiados mantiveram distância, mesmo aos risos, mas Cássio queria mais... e infelizmente cometeu um dos maiores erros de sua vida. Pegou uma garrafa de uma bebiba alcóolica junto ao despacho e a bebeu, depois riu e chutou os objetos depositados ali! Chutava e destruía o que podia e correu atrás dos amigos que por medo e de certa forma, respeito, evadiram-se do local.
Ele até que insistiu para que os amigos tomassem um gole da bebida,  mas ninguém se candidatou, embora todos comentavam freneticamente sua coragem de mexer “naquelas coisas”! Riram, debocharam e enfim, chegaram em seus lares.
Algumas horas depois Cássio despertou cansado, com ressaca e confuso, não se lembrava do ocorrido. Ainda estava com as roupas que chegara da rua. A cabeça doía e os músculos pareciam atrofiados, nada que um bom chá da mamãe não resolvesse.
Algum tempo depois...
O rapaz estava doente, seus pulmões encheram-se de água! Diante da gravidade inesperada de sua doença, fora internado. Nenhum medicamento lhe colocava novo em folha! Os antibióticos pareciam não surtir efeito em seu organismo debilitado. Vivia internado e já havia perdido mais de seis quilos!
Os amigos iam lhe visitar no hospital e um deles assustadíssimo com a magreza do jovem, lhe fez lembrar que tudo aconteceu depois que destruiu o tal despacho! Cássio sentiu um frio enorme correr-lhe pela espinha, lembrando-se da cena que lhe passava pela tela mental com uma nitidez assustadora. Sentiu medo pela primeira vez, mas soube disfarçar para os amigos, afirmando que não fora por isso, dando-lhes um sorriso amarelo.
Ao ganhar alta médica depois de ficar de molho mais de uma semana no hospital, ainda enfraquecido e proibido  terminantemente de expor-se ao frio, a chuva, entre outras recomendações médicas, o rapaz sentia-se deslocado e infeliz. Uma tristeza enorme lhe preencheu o peito e um frio mórbido percorria-lhe a espinha, seguidos de calafrios.
Recuperando-se em casa e já esperançoso de fortalecer-se, desejou dormir um sono tranquilo. Mas os pesadelos de sempre lhe retornavam a mente e Cássio despertava suarento e assustadiço.
Entrou em depressão, parou de comer, não saia mais de casa nem para falar com os amigos, não conseguiu reabilitar-se fisicamente e ainda por cima, pouco a pouco desestabilizava-se psiquicamente.
Passou a andar pela casa de madrugada com insônia, estava cada vez mais magro e perturbado. A fraqueza física era tanta, que o rapaz já não se movia sozinho,  precisa que algum familiar lhe auxiliasse nesta tarefa que antes, bem antes de tudo isso acontecer, lhe parecia fácil.
Sentindo-se como um idoso, em profunda depressão e a beira de um colapso mental, caiu em prantos desesperadamente, no colo da avó, pedindo-lhe socorro!
Aquela senhora lhe ouvia comovida os apelos dolorosos, enquanto tentava concatenar as ideias. E por fim, depois de lhe ver em profundo desespero e as raias da loucura, tomou a decisão de leva-lo a um centro espírita, o qual frequentou algumas vezes.
Mesmo a família sendo católica, resolveu concordar, pois diante de tal fato sentiam-se impotentes e de mais a mais, já sabiam que Cássio havia desrespeitado o culto alheio, numa madrugada dessas...