Mesmo depois
que passar a grande tempestade, o coração augusto do Cristo sangrará de dor,
porque não será sem uma profunda e divina melancolia que verá partir, para
rudes degredos reeducativos, os afilhados ingratos e rebeldes que não lhe
quiseram aceitar a doce proteção...
Os filhos da iniquidade, empedernidos no
crime e cristalizados no orgulho, deixarão as fronteiras fisiomagnéticas da
Terra, em demanda das novas experiências a que fizeram jus; mas aqui, no orbe
aliviado e repleto de escombros, uma nova idade de trabalho e de esperança
nascerá, ao Sol da Regeneração e da Graça.
Nesse mundo renovado, a paz inalterável
instituirá um progresso sem temores e uma civilização sem maldades. Os
habitantes do planeta estarão muito longe da angelitude, mas serão operosos e
sinceros, um tanto sofredores e endividados para com a Eterna Justiça, mas
fraternos e dóceis à inspiração superior.
A subsistência exigirá esforços titânicos,
na agricultura dignificada e no trato exaustivo das águas despoluídas, mas não
haverá penúria nem fome.
Por algum tempo, muitos corações sangrarão
no sacrifício de missões ásperas, na solidão e no silêncio dos sentimentos em
penitência; mas não existirá desespero nem prostituição, viciações letais ou
mendicância, infância carente ou velhice abandonada.
A morte fisiológica continuará enlutando, na
amargura de separações indesejadas, mas o merecimento e a intercessão poderão
proporcionar periódicos reencontros das almas amantes e saudosas, em
fraternizações de fenomenologia sublimal.
