Era inverno, as temperaturas despencavam e aquele templo de umbanda recebia naquela noite poucas pessoas.
Marcelina estava na primeira fileira no salão principal, preparando-se para a reunião daquela sexta-feira. Poucas pessoas faziam parte do grupo de consulentes, muitos haviam ficado em seus lares devido ao frio intenso. Os médiuns também estavam em um grupo pequeno, a maioria faltou...
Após as preces de abertura dos trabalhos daquela noite e o início da palestra, os consulentes foram chamados para receber o passe magnético. Marcelina foi uma das primeiras e durante o passe despertou no médium maior atenção sobre ela. Como se tratava de um trabalhador experiente, sensível e atencioso, ao fim do tratamento a convidou para se aconselhar com preto velho e, Marcelina ansiosa e agradecida, aceitou.
Já diante do médium que já estava sob a vibração da entidade amorosa, respeitosamente ela o saudou: _ Boa noite, paisinho... salve!
Durante dois minutos fez-se um silêncio absurdo entre eles, a entidade auscultava a encarnada, enquanto baforava a fumaça do cachimbo enquanto nossa personagem aguardava o momento para DESPEJAR todo seu arsenal de perguntas descabidas em cima do médium incorporado!
Preto velho: _Salve Zin fia! Ê, ê! Nego veio vê que a fia tá muito carregada, uma tristeza sem fim, uma energia pesada e de coloração escura e densa... por que, zin fia?
Marcelina: _ Paisinho... estou muito só, carente que dói... sinto falta de um alguém na minha vida. Preciso de alguém para me amar! Como vou me sentir valorizada e realizada se não tenho meu coração aquecido pelo amor? Se o moço certo aparecesse em minha vida para me amar e me fazer feliz, eu seria a mulher mais feliz do mundo!
A entidade ouvia com paciência cada lamúria. O médium que servia de ponte para a entidade espiritual, aproveitava para aprender mais sobre a problemática do “amor”. Instruído pelo guia a conhecer mais sobre a alma humana, sem julgamentos, sentia a energia da consulente, sua irmã de caminhada e auxiliava no que podia.
A moça “falava” como uma matraca sem se ouvir, esperava da entidade espiritual um estalar de dedos e “tudo resolvido”! Mas não foi bem assim que aconteceu.
Marcelina: _O senhor poderia me dar uma ajudinha para eu arrumar o meu príncipe encantado, preciso me sentir amada!
Preto velho: _A filha chegou no ponto que nego veio queria... sabe moça, eu fico aqui pensando o seguinte... por suposição se seu te abrir os caminhos para que encontres o tão desejado “príncipe encantado”, um moço que te dê amor e que “te aqueça o coração”, que realize teus desejos mais íntimos... e se um dia ele falhar, o que fará? Se ele em algum momento deixar de te desejar, como reagirá? Suponhamos que este homem seja como a grande maioria dos que já estão por aí, tão egoístas e também à procura de quem realize seus desejos mais íntimos, que se encantam e se desencantam por uma mulher, com a velocidade do pensamento? Fia, se esse tal príncipe te decepcionar um dia e se ele for uma idealização sua, como fará?
A moça assustou-se com as perguntas da entidade, seus pensamentos se atropelavam e ela não conseguia raciocinar de forma organizada. Aquela entidade espiritual havia lhe tocado na ferida mais dolorida sem ao menos lhe dar aviso prévio! Marcelina ficou atônita, caiu em si despertando para uma realidade cruel. O que pensar diante de tais questionamentos? O que dizer? O que a entidade queria? Porque fazia aquilo, desafiando-a a pensar? Por que ao invés de resolver seus problemas e de lhe dar respostas prontas, estava a lhe “complicar” mais ainda a vida? Por que?
Marcelina estava na primeira fileira no salão principal, preparando-se para a reunião daquela sexta-feira. Poucas pessoas faziam parte do grupo de consulentes, muitos haviam ficado em seus lares devido ao frio intenso. Os médiuns também estavam em um grupo pequeno, a maioria faltou...
Após as preces de abertura dos trabalhos daquela noite e o início da palestra, os consulentes foram chamados para receber o passe magnético. Marcelina foi uma das primeiras e durante o passe despertou no médium maior atenção sobre ela. Como se tratava de um trabalhador experiente, sensível e atencioso, ao fim do tratamento a convidou para se aconselhar com preto velho e, Marcelina ansiosa e agradecida, aceitou.
Já diante do médium que já estava sob a vibração da entidade amorosa, respeitosamente ela o saudou: _ Boa noite, paisinho... salve!
Durante dois minutos fez-se um silêncio absurdo entre eles, a entidade auscultava a encarnada, enquanto baforava a fumaça do cachimbo enquanto nossa personagem aguardava o momento para DESPEJAR todo seu arsenal de perguntas descabidas em cima do médium incorporado!
Preto velho: _Salve Zin fia! Ê, ê! Nego veio vê que a fia tá muito carregada, uma tristeza sem fim, uma energia pesada e de coloração escura e densa... por que, zin fia?
Marcelina: _ Paisinho... estou muito só, carente que dói... sinto falta de um alguém na minha vida. Preciso de alguém para me amar! Como vou me sentir valorizada e realizada se não tenho meu coração aquecido pelo amor? Se o moço certo aparecesse em minha vida para me amar e me fazer feliz, eu seria a mulher mais feliz do mundo!
A entidade ouvia com paciência cada lamúria. O médium que servia de ponte para a entidade espiritual, aproveitava para aprender mais sobre a problemática do “amor”. Instruído pelo guia a conhecer mais sobre a alma humana, sem julgamentos, sentia a energia da consulente, sua irmã de caminhada e auxiliava no que podia.
A moça “falava” como uma matraca sem se ouvir, esperava da entidade espiritual um estalar de dedos e “tudo resolvido”! Mas não foi bem assim que aconteceu.
Marcelina: _O senhor poderia me dar uma ajudinha para eu arrumar o meu príncipe encantado, preciso me sentir amada!
Preto velho: _A filha chegou no ponto que nego veio queria... sabe moça, eu fico aqui pensando o seguinte... por suposição se seu te abrir os caminhos para que encontres o tão desejado “príncipe encantado”, um moço que te dê amor e que “te aqueça o coração”, que realize teus desejos mais íntimos... e se um dia ele falhar, o que fará? Se ele em algum momento deixar de te desejar, como reagirá? Suponhamos que este homem seja como a grande maioria dos que já estão por aí, tão egoístas e também à procura de quem realize seus desejos mais íntimos, que se encantam e se desencantam por uma mulher, com a velocidade do pensamento? Fia, se esse tal príncipe te decepcionar um dia e se ele for uma idealização sua, como fará?
A moça assustou-se com as perguntas da entidade, seus pensamentos se atropelavam e ela não conseguia raciocinar de forma organizada. Aquela entidade espiritual havia lhe tocado na ferida mais dolorida sem ao menos lhe dar aviso prévio! Marcelina ficou atônita, caiu em si despertando para uma realidade cruel. O que pensar diante de tais questionamentos? O que dizer? O que a entidade queria? Porque fazia aquilo, desafiando-a a pensar? Por que ao invés de resolver seus problemas e de lhe dar respostas prontas, estava a lhe “complicar” mais ainda a vida? Por que?
Um suor frio lhe molhou a face e ela
respirou fundo tentando juntar saliva para aplacar a secura da boca. Apertou as
delicadas mãos, frias e molhadas, iniciando novo diálogo com fortes sinais de
desapontamento. A voz em tom grave e
mais baixo do que o normal pronunciou frases desconexas e trêmulas... enfim,
ela despertou e compreendeu o erro (envergonhada), mas disfarçou.
Marcelina: _Não compreendi, o senhor poderia me explicar melhor?
Aquele preto velho amoroso, psicólogo de almas, lançou um olhar cheio de amor e bondade àquela mulher sofrida. Procurou a melhor forma de lhe ajudar a compreender sua real situação.
Marcelina: _Não compreendi, o senhor poderia me explicar melhor?
Aquele preto velho amoroso, psicólogo de almas, lançou um olhar cheio de amor e bondade àquela mulher sofrida. Procurou a melhor forma de lhe ajudar a compreender sua real situação.


