É bom e positivo quando servimos alguém com amor e dedicação. É até
recomendável que façamos isso deixando o egoísmo de lado, é bom olhar para os
lados, preocupar-se com o próximo, etc. Com isso crescemos espiritualmente e
aprendemos, evoluímos e fazemos novos amigos.
A nossa vida deve sempre ser movida por um objetivo maior, devemos dar
sentido a ela todos os dias, cumprindo com os nossos deveres, nos aprimorando,
aprendendo coisas novas e por aí vai. O que não devemos jamais fazer é fixar no
outro a ideia de que ele é o nosso objetivo maior.
Não é saudável vivermos a mercê da aprovação alheia, subservientes como
os antigos escravos e dependentes dessas mesmas pessoas.
Observo as famílias e percebo que em muitas delas existe uma relação
doentia, onde uns se submetem aos outros entregando suas próprias vidas em mãos
alheias (ninguém cuidará melhor de nós do que nós mesmos).
Há mulheres que ainda cumprem o papel da “serviçal do lar”, aquela que
não tem tempo para cuidar de si, mas que tem todo o tempo do mundo para
ocupar-se com os seus. Acaba sendo uma relação onde não existe troca, elas
creem que fizeram muito em renunciar a própria vida para dedicar-se integralmente
aos filhos e ao esposo, ansiando a próxima tarefa doméstica e assim por diante.
Descuidam-se de si próprias, deixam sempre para o “amanhã” os cuidados
com a aparência, exaurem-se e no fim não têm mais energia nem bom humor de
sobra.
Os filhos crescem e querem liberdade, para alguns pais isso é sinal de “traição”,
cria-se uma dependência mórbida e as chantagens emocionais dão o ritmo cruel à vida. Em outros
casos esses mesmos pais ficam depressivos, pois a vida perdeu todo o seu
sentido!
O marido fica grato a esposa extremosa e caprichosa, que não deixa nada
a desejar nos serviços domésticos. Desdobra-se para chegar a frente do
companheiro, não permitindo-lhe ao menos auxilia-la no lar vez ou outra. Um dia
ele vai embora de casa alegando estar envolvido com outra mulher, a esposa
entra em conflito, quase enlouquece e passa a se autodestruir alega que sua
vida perdeu todo o sentido, pois vivia para o marido!
Pessoas carentes que vêm de lares desestruturados, têm tendência a
buscar nos outros tudo o que lhes falta. Pode ser o afeto perdido na infância,
o carinho paternal ou maternal, etc. O erro muitas vezes está em criar uma
dependência doentia, desgastante, mas que escapa à percepção da pessoa doente. Esta
sempre irá entrar numa relação desejando intimamente que o outro lhe preencha o
vazio d’alma.
Essas relações afetivas tendem a durar pouco, pois se um dos dois sofre,
por exemplo, de baixa autoestima e sentimento de inferioridade, é certo que o
outro ficará com o tempo sufocado, sem espaço para si! O outro, aquele que está
doente, sem perceber vai minando o relacionamento com os ciúmes doentios, com a
insegurança, as cobranças e os medos. Depois diz que não entendeu o porquê da
pessoa amada ter deixado de amá-lo e que doou-se por inteiro e fez os maiores
sacrifícios para no fim não ser reconhecido e nem amado!
Meus queridos irmãos, aprendi que quando concluímos que fizemos grandes
SACRIFÍCIOS por quem quer que seja e não fomos RECONHECIDOS, no fim das contas
significa que estávamos no caminho oposto (errado). Qualquer relação não pode e
não deve jamais exigir sacrifícios além da conta de nenhuma das partes, um dos
envolvidos está equivocado, pois tudo deve ser consentido, permitido e vivido
plenamente pelos dois ou três ou mais de três! Nos grupos familiares, entre os
casais, com os amigos de fé, enfim qualquer que seja a situação, antes de amar o outro é necessário amarmos a nós
mesmos.
Doar-se é preciso e é saudável, tudo com boas pitadas de equilíbrio,
sobriedade e autoanálise. A cada dia devemos mergulhar para dentro de nós e
renovar as esperanças, os sentimentos positivos e repetir com verdade para nós
mesmos, o quanto nos amamos e somos especiais.