
Desde que o mundo é mundo vemos
o outro como o nosso salvador, aquele que irá nos proporcionar a realização de
nossos sonhos e ilusões. Atribuímos ao outro a tarefa de fazer-nos felizes e
isto é uma grave ilusão.
Podemos até encontrar nos
nossos pais toda a amorosidade e disposição para “proteger-nos” dos perigos da
vida ou no cônjuge a pessoa ideal, mas felicidade é tarefa nossa, é insubstituível
e intransferível!
Jamais conseguiremos fazer o
outro feliz e tudo porque este estado de espírito nasce do
autoconhecimento e do trabalho espiritual incessante. Temos o triste hábito
de atribuirmos essa missão ao outro, mas sempre dá errado, colocamos nas mãos
das pessoas que amamos e confiamos, a dura tarefa de nos alegrar diariamente,
de nos satisfazer em todos os nossos desejos e sonhos e nunca dá certo! Por
que?
Porque somos espíritos em
evolução, necessitamos compreender que
não existe perfeição. Quantos de nós nos
perdemos nos labirintos das decepções, ao insistirmos em ver as pessoas que
amamos não como elas realmente são, mas como nós
as idealizamos?
Somos imperfeitos! É de
nossa responsabilidade os caminhos que tomamos, as escolhas que fazemos e os
rumos que damos para nossa vida. Não é fácil aceitar, mas é importante que
despertemos para tal realidade, pois, enquanto insistirmos em colocar nas mãos
do outro nossa felicidade, continuaremos a nos decepcionar com as traições, mentiras,
desculpas esfarrapadas, entre outros.
A culpa:
Infelizmente atribuímos culpa
as pessoas porque não nos fazem felizes. Elas falham, nos traem, nos abandonam,
nos fazem sofrer e nós ficamos a desejar que se explodam! Ora, alguém precisa pagar pela nossa infelicidade, pelos nossos
sonhos desfeitos, pelas decepções que passamos, enfim... A quem atribuir culpa
se não ao outro? Assim fica mais fácil seguirmos (iludidos) adiante. Enfrentar
a realidade em certos casos, afirmar para nós mesmos que fracassamos é algo
doloroso e em muitos casos inadmissível. Então preferimos culpar o outro pelo
nosso fracasso, pela nossa cegueira, pela nossa mania de fantasiar tudo ou
quase tudo na vida e por não serem perfeitos como idealizamos.
Já repararam que temos a
constrangedora mania de culpar os outros pelas nossas más escolhas? condenamos
nossos pais, parentes, amigos, namorados... É mais cômodo. Para quê enfrentar a
realidade que nós mesmos criamos? Em muitos caso preferimos ser imaturos.
A verdade é que só cresceremos
e amadureceremos como espíritos, quando enxergarmos nossa responsabilidade em
tudo o que fizermos, nas nossas escolhas, nas nossas ações, pois se algo dá
errado precisamos compreender que não é culpa do outro. Vejamos um exemplo.
Cláudia foi se consultar no
centro espírita, foi pedir ajuda e conselhos porque a infelicidade lhe tirava a
vontade de viver...
Diante do médium ela reclamou
que o marido a traiu e a abandonou, trocando-a por uma mulher mais jovem. Disse
que os filhos ainda menores de idade, foram com o pai para a nova moradia, abandonando-a
e que sentia-se profundamente infeliz!
O médium
intuído por uma entidade espiritual superior, falou-lhe:
“_Minha irmã, não percas tempo reclamando da vida,
torna ao caminho do bem. Não alimentes a dor e o ódio, faz nascer e florescer em
ti o perdão! Não enveredes pelas florestas densas da animosidade, porque
lá tu te perderás! Portanto, trabalha e confia em Deus. Não responsabilizes teu
esposo pelas tuas más escolhas e nem a teus filhos pelos exemplos que não destes.
Faças da tua derrocada a vitória com Jesus, examinas-te antes de julgar
o teu próximo e orientas-te antes de seguir pela estrada da vida. Não existem
vítimas nem culpados, na verdade somos todos responsáveis por nossas escolhas e
pelo que delas colhermos.”