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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ante o livre arbítrio






 
“Nada te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo.” Jesus (João, 3:7)
“Não há, pois, duvidar de que sob o nome de ressurreição o principio do reencarnação era ponto de uma dos crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmam de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo.” (Cap. IV, Item 16)

Surgem, aqui e ali, aqueles que negam o livre arbítrio, alegando que a pessoa no mundo é tão independente quanto o pássaro no alçapão.
E, justificando a assertiva, mencionam a junção compulsória do espírito ao veiculo carnal, os constrangimentos da parentela, as convenções sociais, as preocupações incessantes na preservação da energia corpórea, as imposições do trabalho e a obediência natural aos regulamentos constituídos para a garantia da ordem terrestre, esquecendo-se de que não há escola sem disciplina.
Certamente, todos os patrimônios da civilização foram erigidos pelas criaturas que usaram a própria liberdade na exaltação do bem, no entanto, para fixar as realidades do livre arbítrio examinemos o reverso do quadro.
Reflitamos, ainda que superficialmente, em nossos irmãos menos felizes, para recolher lhes a dolorosa lição. Pensemos no desencanto daqueles que amontoaram moedas, por longo tempo, acumulando o suor dos semelhantes, em louvor da própria avareza, e sentem a aproximação da morte, sem migalha de luz que lhes mitigue as aflições nas trevas... Imaginemos o suplício dos que trocaram veneráveis encargos por fantasiosos enganos, a despertarem no crepúsculo da existência, qual se fossem arremessados, sem perceber a secura asfixiante de escabroso deserto.
Ponderemos a tortura dos que abusaram da inteligência, reconhecendo, à margem da sepultura, os deprimentes resultados do desprezo com que espezinharam, a dignidade humana...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Causos de umbanda – Um pedido muito especial




Margarida toda sexta-feira vai para a casa de umbanda receber o axé das entidades espirituais. É frequentadora há dez anos e ultimamente, por causa dos problemas familiares tem ido com assiduidade.
É mãe do Pedro, um rapagão saudável que segundo ela, não quer nada com a vida. É esposa do Jorge que vê no próprio filho seu fracasso como pai.
Margarida esperava sua vez de ser atendida. Aquela era a sessão dos pretos velhos e ela estava ansiosa como de costume, para receber as orientações.
Diante do médium que recebia vibrações do guia espiritual, Margarida falava entre aflita e nervosa sobre o problema que lhe apoquentava. Reclamava do filho e do marido, da vida, dos vizinhos, porém o que mais lhe doía era a situação de seu filho único, pois os desentendimentos familiares sempre se davam por causa dele.
O marido sempre entrava em atrito com o próprio filho por causa de sua rebeldia e do seu modo “tanquilo” de ser. As brigas eram diárias e essa situação causava em todos um mal estar daqueles!  
Preto velho: _Deus te abençoe, minha filha! Que mal te acomete? 
Margarida: _É que o Pedrinho, meu filho passou dos limites! Não quer ter responsabilidades, já está com vinte e quatro anos de idade e não para em emprego algum. Fuma demais, dorme até tarde, fica no boteco jogando até tarde da noite e já é até pai solteiro! Ah! Lá em casa tem briga todo dia, pai velho! O meu Jorge não aceita mais os abusos do nosso filho, fica nervoso e por isso o maltrata e o meu filho, infelizmente não o respeita mais. 
A entidade e seu médium ouviam com atenção as lamentações da consulente que não parou por aí... 
Margarida: _Eu hoje vim decidida a pedir pelos dois... na verdade por todos nós lá de casa, sabe? Mas hoje eu quero lhe pedir, pai velho, uma ajudinha muito especial para meu filho Pedro... será que não tem um “jeito” do senhor fazer ele mudar? Digo assim... será que o senhor poderia fazer “algo” para ele se arrumar na vida? Um sacudimento ou trabalho forte... sei lá! Algo que o faça ficar responsável... na verdade não sei bem o que o senhor pode fazer, o que quero é que ele tome jeito de homem, pois já passou da hora! – Dizia ela mais agitada ainda.  -  Então, pai velho, o que o senhor me diz?