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sábado, 30 de abril de 2016

POBREZA E ABORTO





PERGUNTA:  Insistimos, ainda, em indagar-vos: mesmo submetida às maiores privações do mundo, sobrevivendo dificilmente, sem qualquer ajuda, a mãe paupérrima é sempre culpada se praticar o aborto? Não lhe cabe nem o direito de decidir pela solução de abortar, ante a angústia de procriar um filho para a nudez e a fome?

RAMATÍS:  Que seria do mundo, caso Maria de Nazaré resolvesse abortar o seu filho Jesus, só por causa de sua pobreza? Ela não sabia se teria o pão do dia seguinte. Quantos artistas sublimes da música, da pintura e da escultura, ou servidores da ciência humana, teriam deixado de existir, não trazendo aos sentidos humanos a beleza da cor, a harmonia dos acordes ou a estesia da forma, caso suas progenitoras indigentes os tivessem abortado pelo medo da miséria? Seja qual for a opinião do mundo, justa ou injusta, racional ou emocional, o certo é que, após se iniciar a gestação, e apesar das justificativas de problemas sociais, financeiros, econômicos, é sempre um agravo interromper o curso criativo. Ainda, supondo-se que o nascituro venha a se extinguir pelas forças agressivas e precárias do meio ambiente, a mãe cumpriu o seu dever e redimiu-se perante a Lei. Conforme já vos dissemos, o aborto só é lícito em casos excepcionais, como quando periga a vida da gestante a ser salva pelo médico, embora com o sacrifício do feto.