Amanda é uma moça “normal”, considerada ainda jovem
pela maioria, gosta de fazer passeios ao ar livre, é elegante, tem bom gosto e
apesar de ter uma forte inclinação para a música clássica, aprecia outros
tipos de música desde que elas lhe causem alguma emoção.
É reencarnacionista e adepta do espiritismo, mas até
hoje não “se encontrou”, frequenta as casas espiritualistas, mas prefere não se
comprometer - assim dá menos trabalho, pensa ela.
Na verdade ela é muito boa em observar pessoas e
identificar nelas defeitos. Discretamente vai desvendando a personalidade dos
outros, identificando falhas aqui e ali, faz espécie de análise sobre as
pessoas... Descobriu-se ótima nisso!
Depois de ter lido muitos livros espíritas, entre
eles os romances, buscou novos rumos conhecendo e se apaixonando pela umbanda.
É aquela atmosfera lúdica que os templos passam para os leigos e
desinteressados, mas que de lúdico não tem nada!
Chegava em casa sempre contando uma novidade sobre a
tal casa que frequentava, sempre fazendo observações sobre as falhas do
palestrante ou de algum trabalhador humilde da casa. Enquanto contava o que
havia presenciado no templo, servia o café da manhã. Havia feito um doce novo
desses de compota... Ficou esperando os familiares dizerem algo... se havia
ficado gostoso, doce demais ou amargo, mas ninguém falou nada nem ao menos um
“elogiozinho” bobo, desses que a gente escuta e fica satisfeito...
Todos levantaram da mesa e despediram-se dela com um
tchau seco e um sorriso dissimulado. Quando isso acontecia Amandinha ficava
para morrer, mas fingia estar tudo bem.
