Sofia
está muito feliz depois que conseguiu resolver de vez seus “problemas” de ordem
psíquica. Desde criança ouvia e via pessoas que estavam “mortas”. Para
seus familiares era uma “menina problema” e quando completou quinze anos de
idade, chegou a ser internada numa clínica psiquiátrica por uma semana.
Os pais
terrenos de Sofia, embora simpáticos ao espiritismo, não compreendiam a
mediunidade da moça com todas as suas “esquisitices” e como ela não se
interessava em seguir a doutrina “deles”, ficava quase sempre falando sozinha,
pois seus pais por ignorarem que se tratava apenas da necessidade da médium
desenvolver-se, abandonavam-na a própria sorte, temendo ser ela a porta voz de
espíritos zombeteiros. Ela
afirmava que via homens negros, envelhecidos em sua contextura “física”, que
usavam roupas brancas e fumavam cachimbo, dizia ver índios belíssimos, altos, fortes,
altivos e livres, também contava sobre as mulheres genuinamente femininas, mas
com uma força fantástica para ela ainda desconhecida. Convidavam-na
para fazer parte do grupo... Tentavaem vão explicar aos pais biológicos as
visões que tinha e o que ouvia das tais pessoas e ainda era interpretada de
forma equivocada pelos genitores. Um dia, já cansada de tomar medicamentos antidepressivos
e de ser vista por todos como a “louca”, decidiu que ninguém mais iria tomar decisões
por ela. Foi em busca de respostas e através de alguns livros que adquiriu numa
livraria espiritualista, passou a conhecer mais sobre os personagens que via e
ouvia através de sua sensibilidade mediúnica, desde sua infância. Foi aí que
caminhou com suas próprias pernas e encontrou um ambiente totalmente diferente
dos que costumava frequentar esporadicamente com seus
pais, foi parar num templo umbandista!
