quinta-feira, 11 de junho de 2015

Casamento em Marte.





PERGUNTA: Não há probabilidade de também falsearem os futuros cônjuges marcianos, embora se submetam à rigorosa preliminar de auscultamento espiritual?



RAMATIS: Não cremos que sejam prováveis tais acontecimentos decepcionantes, após o enlace matrimonial, pela simples razão de que a união repousa sobre as bases de uma realidade já conhecida. As desilusões são produtos de acontecimentos inesperados, que em vez de corresponderem aos ideais ou projetos desejados, contradizem estes e causam amarguras. Em virtude de os marcianos se unirem só após o absoluto conhecimento de todas as virtudes e defeitos recíprocos, em qualquer manifestação emotiva ou espiritual, não pode

haver decepções, porque não ocorrerão fatos imprevistos, nem contrariedades desconhecidas.

Conservando-se voluntariamente acima das contingências carnais, baseando a ventura conjugal no intercâmbio formoso das relações espirituais, isentam-se os esposos marcianos da proverbial melancolia dos lares terrenos, em que, tanto o homem como a mulher, que ardentemente se desejaram pela fascinação do corpo, declinam, irremediavelmente, para a indiferença gradativa em proporção à velhice. O moço marciano não firma a sua ventura no jogo transitório das configurações sensuais; e a mulher não confia a sua felicidade à circunstância de casar-se com um "galã" cinematográfico. Importa-lhes, em essência, o conhecimento recíproco das qualidades espirituais que são duradouras, que sobrevivem à deformação dos corpos e se aquecem continuamente sob o contato diário. Não havendo, como condição primordial, a atração pelo corpo, mas sim, o reencontro de almas afins para a eternidade, o lar marciano apresenta o delicado aspecto de uma escola de boa-vontade!

domingo, 7 de junho de 2015

Amor próprio, ter ou não ter? Eis a questão.





Era inverno, as temperaturas despencavam e  aquele templo de umbanda recebia naquela noite poucas pessoas.
Marcelina estava na primeira fileira no salão principal, preparando-se para a reunião daquela sexta-feira. Poucas pessoas faziam parte do grupo de consulentes, muitos haviam ficado em seus lares devido ao frio intenso. Os médiuns também estavam em um grupo pequeno, a maioria faltou...
Após as preces de abertura dos trabalhos daquela noite e o início da palestra, os consulentes foram chamados para receber o passe magnético. Marcelina foi uma das primeiras e durante o passe despertou no médium maior atenção sobre ela. Como se tratava de um trabalhador experiente, sensível e atencioso, ao fim do tratamento a convidou para se aconselhar com preto velho e, Marcelina ansiosa e agradecida, aceitou.
Já diante do médium que já estava sob a vibração da entidade amorosa, respeitosamente ela o saudou: _ Boa noite, paisinho... salve!
Durante dois minutos fez-se um silêncio absurdo entre eles, a entidade auscultava a encarnada, enquanto baforava a fumaça do cachimbo enquanto nossa personagem aguardava o momento para DESPEJAR todo seu arsenal de perguntas descabidas em cima do médium incorporado! 
Preto velho: _Salve Zin fia! Ê, ê! Nego veio vê que a fia tá muito carregada, uma tristeza sem fim, uma energia pesada e de coloração escura e densa... por que, zin fia? 
Marcelina: _ Paisinho... estou muito só, carente que dói... sinto falta de um alguém na minha vida. Preciso de alguém para me amar! Como vou me sentir valorizada e realizada se não tenho meu coração aquecido pelo amor? Se o moço certo aparecesse em minha vida para me amar e me fazer feliz, eu seria a mulher mais feliz do mundo!
A entidade ouvia com paciência cada lamúria. O médium que servia de ponte para a entidade espiritual, aproveitava para aprender mais sobre a problemática do “amor”. Instruído pelo guia a conhecer mais sobre a alma humana, sem julgamentos, sentia a energia da consulente, sua irmã de caminhada e auxiliava no que podia.
A moça “falava” como uma matraca sem se ouvir, esperava  da entidade espiritual um estalar de dedos e “tudo resolvido”! Mas não foi bem assim que aconteceu. 
Marcelina: _O senhor poderia me dar uma ajudinha para eu arrumar o meu príncipe encantado, preciso me sentir amada! 
Preto velho: _A filha chegou no ponto que nego veio queria... sabe moça, eu fico aqui pensando o seguinte... por suposição se seu te abrir os caminhos para que encontres o tão desejado “príncipe encantado”, um moço que te dê amor e que “te aqueça o coração”, que realize teus desejos mais íntimos... e se um dia ele falhar, o que fará? Se ele em algum momento deixar de te desejar, como reagirá? Suponhamos que este homem seja como a grande maioria dos que já estão por aí, tão egoístas e também à procura de quem realize seus desejos mais íntimos, que se encantam e se desencantam por uma mulher, com a velocidade do pensamento? Fia, se esse tal príncipe te decepcionar um dia e se ele for uma idealização sua, como fará?
A moça assustou-se com as perguntas da entidade, seus pensamentos se atropelavam e ela não conseguia raciocinar de forma organizada.  Aquela entidade espiritual havia lhe tocado na ferida mais dolorida sem ao menos lhe dar aviso prévio! Marcelina ficou atônita, caiu em si despertando para uma realidade cruel. O que pensar diante de tais questionamentos? O que dizer? O que a entidade queria? Porque fazia aquilo, desafiando-a a pensar? Por que ao invés de resolver seus problemas e de lhe dar respostas prontas, estava a lhe “complicar” mais ainda a vida? Por que?

Um suor frio lhe molhou a face e ela respirou fundo tentando juntar saliva para aplacar a secura da boca. Apertou as delicadas mãos, frias e molhadas, iniciando novo diálogo com fortes sinais de desapontamento.  A voz em tom grave e mais baixo do que o normal pronunciou frases desconexas e trêmulas... enfim, ela despertou e compreendeu o erro (envergonhada),  mas disfarçou.  
Marcelina: _Não compreendi, o senhor poderia me explicar melhor? 
Aquele preto velho amoroso, psicólogo de almas, lançou um olhar cheio de amor e bondade àquela mulher sofrida. Procurou a melhor forma de lhe ajudar a compreender sua real situação.

sábado, 6 de junho de 2015

O Vale dos Espíritas - Atanagildo/ Sávio Mnedonça



Sinopse: Espíritos superiores não cessam de trabalhar, pois consideram o labor uma grande ventura. Estão sempre em busca de parceiros empenhados na reforma íntima, e, quando encontram condições favoráveis, é por meio deles que passam a disseminar o resultado de suas obras. É por essa via que Atanagildo retorna à literatura, convidando espíritas, espiritualistas, umbandistas e irmãos ligados a diversas correntes religiosas, a realizar uma profunda revisão de seus valores morais e de sua responsabilidade para com o trabalho espiritual. O Vale dos Espíritas é resultado de longas pesquisas sobre a origem cármica de dramas vividos por irmãos ligados às paixões inferiores, narrados por vários personagens que, embora possuíssem conhecimento intelectual, oratória impecável, desenvoltura mediúnica e assiduidade na casa espírita, chegaram ao Astral em estado lastimável, por terem negligenciado o entendimento dos conceitos básicos da doutrina espírita, bem como a própria reforma de seus sentimentos e ações. Para eles, o trabalho de autoconhecimento valia apenas para os outros, irritando-se quando alguém lhes ressaltava isso. Iludidos por suas convicções equivocadas, pelo apego ao orgulho, à vaidade, ao sexo, ao egocentrismo, e acima de tudo ao dinheiro, esperavam encontrar no Além as mesmas regalias adquiridas na Terra. Quantos espíritas há que pregam belas lições em púbico, e até na mídia, e ao serem contrariados em seus interesses pessoais revelam a sua verdadeira face?! Atanagildo vem expor todas as mazelas alimentadas na intimidade desses irmãos, alertando que não cabe mais protelar o trabalho de reforma íntima e a caridade desinteressada. Especialista na análise de jornadas existenciais que visam a futuras encarnações retificadoras, ele revela o triste percurso dos que levam sua carga mental-emocional deletéria para o Além, vagando pelo descampado do Vale ou servindo para terríveis obsessões. Este livro é para todos, mas especialmente para aqueles que têm sob sua tutela o percurso de muitas almas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Espíritos que se podem evocar.


274. Todos os Espíritos, qualquer que seja o grau em que se encontrem na escala espiritual, podem ser evocados: assim os bons, como os maus, tanto os que deixaram a vida de pouco, como os que viveram nas épocas mais remotas, os que foram homens ilustres, como os mais obscuros, os nossos parentes e amigos, como os que nos são indiferentes. Isto, porém, não quer dizer que eles sempre queiram ou possam responder ao nosso chamado. Independente da própria vontade, ou da permissão, que lhes pode ser recusada por uma potência superior, é possível se achem impedidos de o fazer, por motivos que nem sempre nos é dado conhecer. Queremos dizer que não há impedimento absoluto que se oponha às comunicações, salvo o que dentro em pouco diremos. Os obstáculos capazes de impedir que um Espírito se manifeste são quase sempre individuais e derivam das circunstâncias.

275. Entre as causas que podem impedir a manifestação de um Espírito, umas lhe são pessoais e outras, estranhas. Entre as primeiras, devem colocar-se as ocupações ou as missões que esteja desempenhando e das quais não pode afastar-se, para ceder aos nossos desejos. Neste caso, sua visita apenas fica adiada.

Há também a sua própria situação. Se bem que o estado de encarnação não constitua obstáculo absoluto, pode representar um impedimento, em certas ocasiões, sobretudo quando aquela se dá nos mundos inferiores e quando o próprio Espírito está pouco desmaterializado. Nos mundos superiores, naqueles em que os laços entre o Espírito e a matéria são muito fracos, a manifestação é quase tão fácil quanto no estado errante, mais fácil, em todo caso, do que nos mundos onde a matéria corpórea é mais compacta.

As causas estranhas residem principalmente na natureza do médium, na da pessoa que evoca, no meio em que se faz a evocação, enfim, no objetivo que se tem em vista. Alguns médiuns recebem mais particularmente comunicações de seus Espíritos familiares, que podem ser mais ou menos elevados; outros se mostram aptos a servir de intermediários a todos os Espíritos, dependendo isto da simpatia ou da antipatia, da atração ou da repulsão que o Espírito pessoal do médium exerce sobre o Espírito chamado, o qual pode tomá-lo por intérprete, com prazer, ou com repugnância.

sábado, 30 de maio de 2015

A VIDA NO PLANETA MARTE E OS DISCOS VOADORES - Aspectos humanos



PERGUNTA: Notamos que o irmão, quando se refere às coisas e seres marcianos, alude a aspectos translúcidos, deixando-nos a impressão de que se refere a uma luminosidade "extraterrena". Como poderemos assimilar a idéia desses aspectos translúcidos a que vos tendes referido diversas vezes.

RAMATIS: Cada planeta, seja a Terra, Marte ou Saturno, apesar de sua massa densa e obscura é, também, energia luminosa e translúcida, que se condensa e extravasa em radiação chamada "aura". Todo orbe que trafega no Infinito, além de sua luz cormaterial que lhe é própria, possui outra luz que se expande de sua intimidade, a qual é perceptível só aos clarividentes reencarnados ou aos espíritos de maior sensibilidade cósmica. Assim como o átomo é minúsculo sistema de planetas-eletrônicos, em torno de um núcleo "microssolar", dotado de energia ainda física e também de uma aura radioativa, a Terra faz parte de um sistema idêntico, porém macrocósmico, que é regido pelo Sol. Isto justifica o conceito de que "o que está em cima está embaixo" e o "assim é o macrocosmo, assim é o microcosmo". Como o átomo também é luminoso, de refulgência só perceptível no campo etérico ou astral da visão interna, todos os seres ou coisas do vosso mundo são portadores de "auras radioativas", que se compõem da soma de todos os átomos radioativos que palpitam na intimidade da substância. A Terra, conseqüentemente, possui a sua gigantesca aura radioativa, que lhe ultrapassa a configuração física e a própria atmosfera de ar, a aura que é a soma de todas as auras microscópicas e radiantes dos átomos existentes nas múltiplas formas da matéria. A proporção que as coisas e os seres se purificam intimamente, os "átomos luminosos-etéricos" vão predominando e sobrepondo-se na massa compacta que conceituais de "matéria". No conceito científico de que matéria é "energia condensada", também podeis conceber uma "luz etérica condensada", de freqüência vibratória além de vossos sentidos comuns, e que se constitui pelos "átomos-etéricos" que compunham a energia em liberdade.
Assim que a substância, que compõe os seres e as coisas, se vai refinando, despojando-se dos invólucros densos e obstruentes, essa "luz aprisionada" ou "luz etérica acumulada" também se vai polarizando em torno, visível já aos clarividentes e às criaturas que atuam psiquicamente além das fronteiras comuns do plano físico.

PERGUNTA: É esse o motivo por que mencionais muito a "luz polarizada" das coisas marcianas?

RAMATIS: Essa luminosidade que palpita por trás das formas materiais transitórias, tão intensa e pura quanto mais intimamente se possa penetrar da essência do espírito, vai-se tornando mais visível ou identificável, em concomitância com o progresso espiritual das criaturas. Mais profundamente, tereis que procurá-la, e a encontrareis, buscando maior intimidade com Deus, no ideal crístico que transforma o animal em anjo. O homem que em vosso mundo caminha exaustivamente no seio da floresta, abrindo extenso cipoal para encontrar a luz do dia, lembra o espírito fatigado, que peregrina através das configurações físicas, para, enfim, lobrigar a Luz do Criador. Jesus lembrou-vos significativamente: "O reino de Deus está em vós". Daí a pronunciada ascendência de luz que se revela nas atividades marcianas, na feição da citada "luz polarizada", porque se trata de um mundo límpido, sem as sombras de quaisquer paixões inferiores. E essa luz, mais atestável sob a visão psíquica, aumenta de pureza e intensidade à proporção que vos libertais das paixões de cólera, ciúme, ódio, luxúria ou perversidade; pois tais deprimências baixam o teor vibratório do magnetismo divino que interpenetra todos os seres, dando lugar às sombras espessas que afastam a alma da Fonte Refulgente do Pai. As desarmonias mentais ou psíquicas são emanações semelhantes às nuvens densas em dias ensolarados e que roubam ou absorvem os raios vitalizantes do Sol. A aura etérica e astral de Marte recebe, continuamente, o hálito perfumado da espiritualidade dos seus moradores; o seu ar magnético é pleno de eflúvios puros, ansiedades angélicas e júbilos afetivos, que exsudam dos conclaves de religiosidade pura, dos intercâmbios afetuosos e das realizações estéticas no reino das flores, da música e da pintura. A persistência sublime de "desejos ascensionais" e a procura constante de "mais luz" e "mais amor" geram sempre uma claridade eletiva para atrair a Luz Cósmica da intimidade de Deus.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O receituário mediúnico dos "pretos-velhos", índios e caboclos




PERGUNTA: Que dizeis sobre as receitas mediúnicas formuladas pelos espíritos de índios, caboclos ou "pretos-velhos", os quais, embora sejam leigos em medicina, prescrevem ervas, remédios caseiros ou homeopatia, que às vezes produzem curas extraordinárias?



RAMATÍS: São espíritos que estiveram reencarnados nesses ambientes de costumes um tanto primitivos; portanto, é natural que ainda se mantenham seus hábitos e convicções anteriores. Então, receitam infusões de ervas curativas, xaropes, fortificantes, homeopatia ou demais tipos de remédios para debelar os males do corpo físico. Aliás, esses espíritos mais caritativos e serviçais, depois de desencarnados, mobilizam no Além todos os seus recursos, no sentido de aliviar o sofrimento dos terrícolas, praticando um curandeirismo tão pitoresco quanto o a que já se haviam habituado na Terra. Muitos desses espíritos bondosos, mas ainda incapacitados para atenderem aos empreendimentos espirituais superiores, sublimam sua ansiedade caritativa na realização de tarefas a favor dos "vivos". Então, os guias espirituais aproveitam sua boa intenção e índole fraterna, embora ainda se trate de almas inexperientes e de graduação primária. Merecem-lhes todo o carinho e tolerância, uma vez que se devotam aos enfermos do corpo e espírito, quer ministrando-lhes o bom conselho, o medicamento e até protegendo-os contra o assédio das falanges trevosas.

Nas residências mais afastadas dos centros populosos, a homeopatia ainda é o socorro de urgência substituindo o médico ausente e atendendo desde o netinho endefluxado e o vovô reumático, até a titia vítima de pertinaz enxaqueca.

Embora reconheçamos sinceramente os benefícios salutares prestados pela medicina alopática, a verdade é que as crianças tratadas exclusivamente pela homeopatia livram-se das injeções dolorosas e das reações alérgicas e dos efeitos tóxicos causados pelos medicamentos corrosivos. A farmacologia alopática, malgrado o seu êxito, também, em certos casos, produz conseqüências agressivas e indesejáveis nos organismos mais sensíveis. Às vezes intoxica o fígado e provoca a inapetência, ou "falta de apetite"; doutra feita, congestiona os rins, normaliza o estômago, afeta o intestino, contrai o duodeno, mancha a pele, produz urticárias ou cefaléias características das opressões sanguíneas. Assim, a pobreza do vosso país prefere essa medicina pitoresca exerci da pelos espíritos de índios, caboclos ou "pretos-velhos", que ministram ervas, remédios caseiros ou homeopatia, no desejo louvável e cristão de servir o próximo sem interesse ou vaidade pessoal. Ansiosos em proporcionar o maior bem possível, eles servem-se tanto dos médiuns de "mesa" como de terreiro, pois só lhes importa exercer um serviço benéfico. Embora a medicina acadêmica censure esses espíritos, que realmente ignoram os recursos avançados da terapêutica moderna, o certo é que eles seguem humildemente o Mestre Jesus, quando recomendava: "Ama o próximo como a ti mesmo" e "faze aos outros o que queres que te façam".



PERGUNTA:  Por que, embora se trate de espíritos bondosos e caritativos, nem sempre os "pretos-velhos" ou caboclos conseguem o êxito desejado nas suas prescrições medicamentosas? Porventura não gozam da faculdade de premonição durante a sua assistência espiritual junto aos enfermos da Terra?



RAMATÍS:  São almas que servem o próximo de modo incondicional, deixando a Deus o cuidado de promover o merecimento de cada criatura, pois o seu princípio fraterno é sempre o de "ajude e passe". 1 Aliás, sabeis que os próprios espíritos angélicos não podem sustar as provas cármicas dos encarnados, quando o sofrimento humano tem por fundamento principal a redenção espiritual do enfermo.

sábado, 23 de maio de 2015

ANJOS REBELDES - II





O homem, como espírito encarnado, não precisa evoluir para "ganhar mais luz, nem morrer fisicamente para sobreviver em espírito, pois ele já vive na própria carne, a posse de sua essência indestrutível. A medida que o ser se purifica torna o seu perispírito mais transparente e por isso irradia mais luz, assim como a limpeza da lâmpada empoeirada proporciona maior amplitude ao foco luminoso. Deus é o fundamento indestrutível da consciência humana, por cujo motivo a "Gênesis" assegura que o "homem foi feito à imagem de Deus", e Jesus, mais tarde, confirma esse dístico, dizendo-nos: "Vós sois deuses!"
— Em certo ensejo de visita à Crosta, assisti trabalhos mediúnicos cujos videntes anunciavam quando o espírito "ganhava luz", de acordo com a maior ou menor aquiescência aos argumentos dos doutrinadores! — interrompeu belíssima jovem, cujo traje lembrava a tradicional samaritana bíblica.
Apolônio sorriu, dizendo, explicativo:
— Espírito atrasado é apenas a entidade de perispírito muito denso, devido a crosta de resíduos impuros ali aderidos ou petrificados sob o descontrole das paixões ou dos vícios deploráveis e da ignorância intelectual. O invólucro muito denso não deixa filtrar
para o exterior a chama de luz que palpita no âmago do próprio ser!
Depois de uma pausa significativa, e talvez analisando o efeito de suas próprias palavras, Apolônio concluiu:
— O espírito não "ganha luz" em determinada época de sua vida, porque já é entidade modelada na luz do próprio Deus! Quando o homem se animaliza, ele peca e adensa a sua vestimenta perispiritual reduzindo a irradiação de luz; mas' na prática das virtudes e na aquisição de sabedoria, então clareia o seu envoltório expandindo maior luminosidade. — Mudando o tom de voz, logo acrescentou — Bem, vamos tratar do assunto principal de nossa reunião aqui no "Anfiteatro das Papoulas". E concernente ao
futuro de alguns espíritos de-nossa milenária 'afeição. Subiu ao estrado e sentou-se na cômoda poltrona de matiz estranho luminoso, enquanto os outros espíritos acomodavam-se nos bancos recortados na luxuriante vegetação e próximos ao formoso lago enfeitado de papoulas. — A convocação de hoje é de avultado interesse para a metrópole sideral "Estrela Branca", centro diretor da colônia espiritual "Bem aventurança", em que estagiamos. Trata-se de um carma coletivo muito severo engendrado pelos "Senhores do Carma",
Terra, para o próximo século XX e com a finalidade de reajustar perante a Lei Espiritual milhões de espíritos endividados desde os templos bíblicos. (4) São liquidações de tropelias,. morticínios e massacres cometidos por milhões de seres desde-a época de David, o filho de Salomão, o qual também renascerá na Crosta tornando-se o "detonador psíquico" das provas aflitivas dos próprios comparsas do passado, os quais, em sua maioria, envergarão o traje carnal da raça judaica.
— Evidentemente, o general que engendra a destruição é. o principal responsável por morticínios, atrocidades e injustiças dos seus soldados, não é assim? — indagou um espírito devasta cabeleira grisalha, cuja vestimenta branca e de talhe nazarenico era recoberta por um belo manto azul marinho. — Sem dúvida, o general é o responsável pela "permissão"' concedida aos seus comandados para praticarem vinganças e crueldade sobre os vencidos. Mas é evidente que os soldados também gozam do "livre arbítrio" para cumprir ou rejeitar a ordem cruel e destruidora do comandante, pois isso é problema de responsabilidade de cada combatente. Há guerreiros inspirados por bons sentimentos que poupam os vencidos, enquanto outros vazam o ódio e as frustrações deles na sanha destruidora de massacrar velhos, crianças e mulheres indefesas. Porém, nenhum soldado é obrigado a incendiar ou tripudiar sobre os lares dos vencidos, massacrar os habitantes pacíficos, como ainda acontece nas guerras terrenas, porquanto isso é decisão íntima e pessoal do combatente, em vez de atribuí-la à responsabilidade exclusiva do general-comandante.
— Porventura, o soldado não é obrigado a cumprir as ordens do comandante? O pelotão de fuzilamento encarregado de executar criminosos sentenciados pelo poder civil ou inimigos punidos pelo poder militar de segurança pública, deve recusar-se a cumprir os ditames da Lei? — objetou um espírito majestoso, com os trajes característicos de um árabe. Apolônio sorriu, e fazendo um gesto compreensivo com a cabeça, respondeu:
— Meus irmãos: mata quem quer! Alguém poderia obrigar Jesus, Buda, Francisco de Assis ou Ghandi a matar, mesmo oficialmente? Acaso eles seriam capazes de trucidar crianças, mulheres ou velhos indefesos, só porque estão' autorizados pelo comando superior?
Quem poderia conceber o amorável Jesus na mira de um fuzil, tentando acertar no coração de um sentenciado?
— Bem, — insistiu o árabe — Sem dúvida, esses espíritos jamais praticariam qualquer ato de destruição. Mas que devem fazer os soldados submissos a um comando tirano e cruel?
— Isso é decisão íntima de cada combatente, pois ele tanto pode optar pela atitude pacífica do Cristo e pc-doar o vencido, ou trucidá-lo obedecendo aos chefes belicosos e vingativos. Em qualquer momento o homem dispõe do direito de matar para não morrer, ou morrer para não matar! Indubitavelmente, isso há de variar conforme o seu maior ou menor apego à vida carnal, porque Jesus não só valorizou o preceito pacífico do 5.° mandamento, "Não Matarás", assim como afirmou, "Quem perder a vida por mim, ganhá-la-á".
(5) Caso todos os soldados se recusassem a matar, contrariando as ordens cruéis dos comandos perversos, é óbvio que as guerras também se extinguiriam por falta de agentes de destruição. Temos o exemplo das legiões de Maurício: convocadas para destruir, preferiram morrer em vez de matar! (6) Enquanto os ouvintes silenciavam, meditando nas palavras expressivas de Apolônio, ele mudava o curso da palestra e prosseguia: